Insônia

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012


E nada dele vir... Fiquei esperando a noite toda, sentado na cadeira. Um pouco de vinho, algumas doses apenas para me alegrar.
 Precisava dele. Tenho um monte de trabalho para realizar.
 Dez da noite e nada dele vir... Fico impaciente, ligo a TV, vejo o que se passa. Bebo café, ouço músicas, escrevo um pouco.
 Onze da noite e nem sinal dele... Comecei a ficar preocupado e tomei um calmante. Da janela posso ver algumas luzes se apagando, pessoas dormindo.
 Meia noite e a preocupação aumenta... Penso em escrever algo, pego um livro e leio sem tirar o pensamento dele. Ele vem todas as noites, por que dessa vez não veio?
 Uma da manhã e já preparo chá... Estou deitado na cama ouvindo música e aguardando a chegada dele. Ouço músicas calmas que me levam para outro mundo.
 Duas da manhã certamente ele não vem mais... A companhia dele me faz falta. Está frio, pego uma blusa de lã antiga que tenho e me visto com ela.
 Três da manhã e vejo o mundo rodopiar... Minha cabeça está cheia, dores intensas, meus olhos estão caídos e certamente não estarei disposto a ir trabalhar.
 Quatro da manhã e os peixes do aquário estão com fome... O que eu fiz de errado para que eu não viesse? Começo a rever tudo o que eu podia ter feito de errado e só podia ter sido aquele maldito café!
 Cinco da manhã e já é hora de me arrumar... Bebi bastante café e energético para me manter acordado e trabalhar firme, é difícil viver sozinho e sem emprego.
 Seis da manhã e o sono não veio...



Teoria do caos

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012


Deste lado estou eu e aquele era você. Separados, eu acho, destruídos por conta de um romance.
 O que aconteceu?
 O meu mundo desabou em prantos, desorganizou os pensamentos. O meu universo se corroeu e estou morto, eu caí em lamentações árduas e sem sentidos.
 Nada mais é tão importante quanto era...
 Estou desistindo da vida e o meu testamento nem foi escrito.
 Lembranças e momentos não podem ser revividos, apenas pensados e lembrados.
 Sensações e emoções não voltam no tempo e foi esse o meu erro: querer voltar no tempo.
 Se desse, voltaria no tempo a pé e buscaria pelos girassóis azuis aos quais você me mandou.
 Pegaria todos os ingredientes e com eles formaria uma bela poção, mas não existe magia no lugar em que vivo.
 Procurei em todos os lugares enquanto caminhava sem rumo, bebendo meu café e ingerindo bolachas de água e sal.
 Um pouco de vinho para transparecer as coisas, me deixar vermelho e alegrar minha alma, esquentar o corpo e fazer-me dançar. Rodopiar em busca do que é belo e vulgar.
 Rodopiar em volta do mundo...
 Acordei nos teus abraços te mostrando todos os sonhos cristalinos que eu tive. Sonhos de cristal... Sonhos que se quebrariam em segundos, até mesmo momentos, sonhos que você deveria ter tido.
 Então, por favor, me dê um ou dois copos de veneno.
 Suplico-lhe, faça meu coração se entorpecer de tantas drogas.
 Me acorde no mais inesperado momento e diga-me que foi tudo um sonho qualquer que eu tive enquanto morria desgastado pela dor e insanidade que você pôde me proporcionar.
 Um caos ou dois, de que mais importa?


Mentiras póstumas

quarta-feira, 14 de novembro de 2012


Um dia estávamos sentados em qualquer beco, em qualquer lugar. Fugindo de toda essa realidade dura e fria. Queríamos apenas fugir para o nosso mundo...
 Eu me perdi dentro de mim, encontrei meus pensamentos vagos e mergulhei na minha funda e sombria mente. Não me encontrei. Aquele beco escuro estava dando medo em qualquer um, mas a minha reflexão jamais me deixaria abandonar meu corpo daquele jeito.
 E com um sorriso você me deixou... Ali, sozinho. Achou que eu estava bêbado demais para poder levantar, eu só estava sério demais. Quieto demais... Eu só estava sendo eu demais.
 Ofereceram-me uma droga qualquer e disseram que eu poderia ocupar meu tempo usando-a e pagando por um preço barato...
 Respondi qualquer coisa e fui ao encontro daquele entorpecente. Deitado tranqüilo dentro de casa... Eu pude usar aquela droga.
 O meu coração acelerado por ter te perdido em meio a tantas coisas ruins... O meu universo parado por instantes seguintes de que eu jamais imaginaria que fosse acontecer.
 Eu só quero fugir pra qualquer lugar hoje. Fugir pra qualquer, beber qualquer coisa. Perder a mente e esvaziar o coração.
 O coração... O meu coração que foi ferido tão brutalmente que eu jamais imaginei que isso fosse acontecer.
 O que você me disse? Piadas sem sentido, conversas aleatórias e um pouco de sentimento vazio entre os dois... Um adeus permanente dentro de mim. Um “oi” falso passando por sua boca.
 Não tivemos um relacionamento. Foi uma farsa aquilo...


Ansiedade

terça-feira, 30 de outubro de 2012


Bate no peito aquela saudade, aquela vontade...
 Precisa apenas de uma parte da tua respiração, precisa apenas de você ao meu lado.
 A ansiedade que em mim fica é tão grande e tão dolorosa que você nem percebe.
 Não é aquela ansiedade passageira, é uma verdadeira. Ela é real, tão real como você.
 Se eu pudesse ficar somente ao teu lado nem que fosse por apenas um dia. Se eu pudesse sentir o que você sente, sentir a tua boca junto a minha, a tua preocupação batendo no peito e o teu abraço quentinho... Fazendo questão de me apertar só pra me esquentar.
 Se eu pudesse sentir o teu beijo, fica sempre aquela vontade... A vontade que é provocada pela ansiedade.
 E nesse frio de inverno e nesse tempo que me deixa triste...
 Tua distância, se eu sentisse, poderia mudar, mas não vou.
 Será que você sente a mesma ansiedade?
 Perto da noite, longe de mim e meus pensamentos vagam para o teu encontro.
 Nossa história não mudou... Por onde você estará andando? Por que não te tenho tão perto?
 E tanto eu tenho pra dizer, se eu só pudesse te olhar.
 Queria tanto você ao meu lado em uma cama quente, em nossa cama...
 Quero poder te chamar apenas de meu, quero te beijar o ano inteiro...
 Quero só você.


Agonia

terça-feira, 9 de outubro de 2012


É mais um daqueles estranhos momentos em que você sente como se tivesse perdido tudo, mas logo se lembra que o nada e o vazio existencial eram o seu “tudo”.
 Não é nada realmente nada normal perder nada. Não se há nada para perder...
 Mas é dentro do nada que encontramos todos os sentimentos, é nesse vazio que realmente existe que encontramos nossos verdadeiros valores. Mas que valores?
 Sair de casa no meio da madrugada apenas para pensar, olhar e observar toda a escuridão ao redor... Escuridão maldita.
 É dentro da escuridão que podemos ver quem somos mesmo. Quem sou?
 Às vezes me sinto totalmente perdido dentro de mim... Perdido nesse nevoeiro totalmente oculto... Um nevoeiro na escuridão.
 Apenas queria sobreviver a algo que nem vá existir, queria apenas sobreviver dentro de mim...
 Pois é... Sou um forasteiro dentro de mim, nem me conheço.
 Perdi os sentimentos de alguém verdadeiro, estraguei o mundo ao meu redor...
 Sou um forasteiro perdido nesse labirinto de sentimentos... Perdido e arrependido.
 Pergunto-me sempre “por onde eu estou andando?” Mas no fim a resposta é sempre a mesma: “não sei...”
 Nessa noite fria estamos um distante do outro... Perdi-me dentro de mim e essa maldita história nunca tem fim...
 A história em que ambos se machucam até a morte... Machucam-se sem misericórdia e sem arrependimento...
 Minha morte será a tua salvação...
 Logo eu daria meu futuro para você sobreviver?
 Daria minha vida para que a sua continuasse?


Questionamentos

quarta-feira, 26 de setembro de 2012


 Voando, caindo, destruindo. Às vezes penso em você.
 Chorando por dentro, seriamente frio por fora e apenas ouvindo canções aleatórias enquanto sussurram em meus ouvidos o motivo de toda essa existência.
 Apenas sozinho com um monte de gente, apenas voando dentro de meus pensamentos.
 O açúcar passa por todo o meu corpo enquanto questiono-me o motivo disso tudo acontecer.
 Qual a minha missão?
 Por que as vozes ecoam em minha mente?
 Cadê o mundo em que eu aprendi a viver?
 Onde você está nesse momento?
 Para onde voamos quando vamos nessa infinidade de seres?
 Aquele campo em que dormíamos desapareceu e eu apenas voei para outro lugar.
 Qualquer lugar perdido, esquecido.
 Suas rezas já não me atingem, sua vida já não faz tanto sentido quanto eu esperava.
 Já não ando pelo mesmo lugar, nada era como eu imaginava.
 Sorrisos falsos.
 Natureza morta.


Suicídio Mental

segunda-feira, 24 de setembro de 2012


Seu cabelo está bagunçado, seus óculos estão sujos.
 Nem está prestando atenção na aula, o seu mundo está abstrato. As pessoas estão entediadas enquanto o mundo está acabando.
 Seus pensamentos viajam para outro universo, pensa em algum jeito de se matar.
 O veneno está em sua bolsa, ele quer tomar, passará por sua garganta e o gosto amargo envolverá o teu corpo.
 Começa a vomitar sangue, não há ninguém na sala, escreve um simples “adeus” com o sangue na lousa.
 Senta-se no chão, ainda vomitando, seu sangue se espalha por toda a sua roupa preta, ele fica sujo. Os fones estão em seus ouvidos, uma música triste está tocando, seus órgãos são destruídos.
 Não chegou nem há vinte minutos e a dor já está inimaginável, ninguém chega, foi o que ele planejou.
 Quando alguém finalmente entra na sala, este alguém grita.
 O local está todo ensangüentado e ninguém reparou em um texto de despedida que ele escreveu.
 Neste texto foi depositado todo o seu tédio e agonia.
 Ele cavou seu próprio buraco.


Pensamentos e anseios

terça-feira, 18 de setembro de 2012


 Enquanto o mundo cai, a noite acontece.
 O tempo voa em uma velocidade surpreendente e o universo se desfaz.
 Enquanto Deus está almoçando em seu paraíso, os humanos estão rezando por alguma coisa.
 O dinheiro cai do céu e as pessoas se matam, a chuva já não molha e todos se conformam.
 Não há água e a ilusão é apenas verdadeira o suficiente para não se pensar nela.
 As lágrimas destroem o rosto de uma criança, a fome já não é ignorada.
 Lúcifer vem para o mundo, mas já não precisa fazer nada. Tudo se reconstrói em pequenos espelhos e as imagens se tornam distorcidas.
 É o nosso sangue que está regando as flores do cemitério e ninguém mais se preocupa com a alegria.
 A paz não é encontrada porque a dor deixou de existir, o mundo se torna paralelo e essa dimensão é apenas existente.
 Todos estão correndo atrás de seus sonhos, mas na verdade eles nem existem. Não existe mais beleza nas coisas lindas, não existe mais verdade para a falsidade.
 Não existem mais humanos.


Estou cavando um buraco

sexta-feira, 31 de agosto de 2012


Fui diretamente ao centro de cada golfinho assassinado e me desfiz em cinco toneladas de atum. Girei a terra sobre um eixo tresloucado que desprovia-me de luxo de odiar todo esse amor. Uma raiva que cuspi se tornou um turbilhão e pressenti haver mais lixo que jamais pude prever. Me senti o pior do egoístas por não ter nenhuma pista sobre o quanto está distante o elefante na tevê Eu cavei , eu sei, todos nós cavamos. Encontrei um velho amigo. Ele me contou tudo que aconteceu na dele e eu disse: ‘eu estou cavando um buraco’. E ele disse: ‘eu sei, todos nós estamos’. Encontrei um presidente de um país pobre numa reunião sobre a utilização de recursos públicos para construção de um viaduto que ligaria dois bairros e permitiria a passagem mais ligeira de veículos Automotores e eu disse: ‘eu estou cavando um buraco’ Ele disse: ‘eu sei, todos nós estamos’. Encontrei todos os meus ex-namorados sentados no mesmo bar bebericando uma bebida barata babando de babaca. E eu me sentei e disse: ‘eu estou cavando um buraco’ Eles disseram: ‘eu sei, todos nós estamos’. No momento em que toda a vida foi sugada de mim e eu senti um vazio, no fundo do poço. Apelei para um canção para um senso mínimo de uma estrutura válida na minha vida e cantei. Eu cavei, eu sei, todos nós cavamos. Fui diretamente ao centro de cada dona-de-casa espancada e me desfiz em cinco galões de lágrimas contidas. Girei a terra sobre um eixo tresloucado onde era aceitável o luxo de ter medo da minha vida. Uma crença que desfiz se tornou um redemoinho e engoliu qualquer chance de ver a mim mesmo por inteiro. Me senti o pior dos egoístas por não ter nenhuma pista sobre o quanto está distante o elefante no banheiro. Eu cavei, eu sei, todos nós cavamos. Não vá dizer que essa é sua última chance, não é, nunca é, por algum motivo. O mesmo motivo que me leva a você. Que me leva a querer. Que me leva a nunca saber o motivo.



Conversas paralelas

sábado, 25 de agosto de 2012


Os dois estavam sentados em um trilho de trem. Ela, uma garota normal. Ele, um garoto qualquer.
- Eu queria ter uma bicicleta. – Disse a garota, que se chamava Marrie.
- Por que ter algo tão simples se pode ter o mundo? – Disse o garoto, que se chamava Argus.
- Porque uma bicicleta me levaria até você...
- Não há motivos para vir até mim.
- Vem morar comigo?
- Aonde?
- Aqui no meu coração. – E então ele levantou. Saiu. Sem rumo, andou por vários dias. Chorando, sem nem ao menos tentar entender.
- Tão fanático pelo amor que se esqueceu que ainda tinha alguém que lembrava dele...  – Dizia Marrie, observando as flores.
- Tão amorosa que se esqueceu que eu só queria ela... – Ele respondia em pensamentos altos, respondia para o ar.


Aniversário

quinta-feira, 16 de agosto de 2012


 Olhos fechados, um leve sorriso. Careca, recém-nascido naquele mundo. Lindo, gordinho, saudável.


 Menos alguns anos de vida...

 Já tinha crescido com cabelos loiros, olhos tão escuros que detalhavam a sombra da morte. Alegre, simpático, não parava quieto.

 Menos alguns anos de vida...

 Seus cabelos ficaram escuros. Sua visão já começava embaçar um pouco. Meio gordinho, gostava de fazer piadas, muito mais quieto que antes, já não era agitado.

 Menos alguns anos de vida...

 Começou a escrever com sete anos. Não parava mais, adorava. Gostava de escrever sobre seres místicos, magia, tudo que se podia imaginar.

 Menos alguns anos de vida...

 Deitava na chuva, caía na risada. Na sétima série escrevia sobre mistérios. Gostava de rodar.

 Menos alguns de vida...

 Emagreceu muito. Parou de escrever. Observava o tempo, cantava e dançava. Foi quando começou as aulas de balé. Logo mais tarde começou com ginástica rítmica e street dance.

 Menos alguns de vida...

 Já ficava parado, gostava de ver as pessoas correndo. O mundo era grande, os estudos também eram gigantescos. Repetiu a escola duas vezes, cursando o segundo ano do ensino médio com dezoito.

 Mais alguns de vida...


 Voltou a ser uma criança.


Distante

quinta-feira, 9 de agosto de 2012


Dessa vez eu não estava deitado, estava sentado na frente de um computador. Te encontrei, nos encontramos, nos conhecemos
 Foi tudo tão simples e uma garrafa de vinho mudou tudo. Um vinho barato, qualquer um servia.
 Dessa vez eu estou com o cigarro nas mãos, ouvindo uma música que me lembra você. Queria te ver.
 Nós somos de outros mundos, conhecemos outras realidades, opiniões diferentes.
 Nem nos vemos direito... Quem somos?
 Te procurei nos meus sonhos, me questionei e não te achei. As respostas nada me valiam.
 Da outra vez estávamos juntos de novo, dentro de um cinema. Acordei desse sonho, me vi junto a ti. Te encontrei finalmente, não acha? Decidimos manter.
 Da outra vez os dois estavam fumando, surreal pra mim, não sabia que você também era assim. Demais pra pensar, demais pra entender. E lá vai mais vinho... Mais uma vez bebendo junto a ti, entendendo e compreendendo quem era você. Conversando com os amigos. E quando você se foi, chorei um pouco, não queria te largar, não queria te deixar.
 Um sorriso ou dois, os encontros começaram mais freqüentes. Claro, com mais bebidas. Sempre os dois juntos, fumando aquele cigarro negro de canela e da ultima vez foi o cigarro de menta. O meu favorito.
 E pela ultima vez estamos aqui, eu na frente do computador e você no celular. Conversando apenas, eu com o meu cigarro e você com o seu trabalho. Ambos distantes, ambos juntos.
 O que aconteceu dessa vez para os encontros não se tornarem freqüentes?
 Por que sumimos?
 Aonde fomos?
 Cadê você?


Solidão

terça-feira, 7 de agosto de 2012


Devastado em algum lugar, caído, morto, vivendo sem rumo e aguardando o momento certo para ser levado pela morte.
O que me resta esperar?
 Em um deserto qualquer me perco em pensamentos, anseio pela morte, procuro em algum momento alguém para me ajudar. Estou sozinho. Cadê os meus amigos?
 Percebi hoje que no dia de minha morte não havia ninguém para chorar, não havia ninguém para me salvar.
 A morte demora a me buscar, ela quer ver meu sofrimento. Cadê minha família? Alguém morreria para me salvar? Alguém ao menos se importaria com o jeito que morri?
 Relembro de cada lembrança, reparo nos pequenos detalhes desse flashback que estou tendo.
 Sinto meu corpo formigando, adormecendo, acho que a morte finalmente chegou. Parece que tem alguém me puxando, para onde meu espírito vai? Fecho os olhos e adormeço, não quero ver o rosto dela...
 Acordo em um lugar todo branco... Espere! Alguém me salvou?
 Fico feliz pela morte não ter me abandonado, fico triste por ter morrido sozinho...


Um rei e o zé

quinta-feira, 19 de julho de 2012


Andando calmamente pela rua encontro com um rei. Aqueles reis que vemos no dia a dia. Um rei normal. Ele me disse que quem deixa ir tem pra sempre... Então ele me deixou ir. Deixou-me sozinho. “A pressa esconde o que já é evidente”, dizia o rei, mas não vi nada! Apenas observando um vazio, procurando as respostas para as perguntas, procurando soluções para os problemas... Nem sempre devemos andar assim tão Zé, tão normal.
 O rei me mostrou o caminho certo, me aconselhou seguir pelo errado e me disse que eu devia seguir apenas o caminho que eu queria. Qual seria esse caminho? Será que eu poderia ser forte o suficiente para agüentar todas as consequências?
 O que foi que me fez assim tão Zé? Eu juro que não é drama, mas eu queria ter outra filosofia, pois não nasci para conversar com o rei. Às vezes eu queria sumir... Sumir e viajar para dentro do meu universo, criar uma realidade diferente.
 Continuei sem ver nada. O rei não me disse o que seria aquilo de diferente que eu devia procurar. Ele apenas me disse com suas sábias palavras que só se tornou rei por pensar assim tão diferente.
 Não vi nada...
 E foi aqui do meu lado que eu encontrei o que me fazia tão diferente. Eu vi você.



Inspirado na música Um Zé e o rei, Apanhador Só:


O nada

segunda-feira, 9 de julho de 2012


Quem é o nada? Por que nada existe? Cadê o nada? Onde está tudo?
E eu ouço as leves palavras do nada, o além me faz diferente, eu escuto as vozes que gritam para o nada e nada me vem à cabeça.
Observe o nada e nada verá, nada saberá, nada descobrirá.
Quem sou eu? Eu sou nada... Sou tudo, eu sou deus, eu sou a minha sobrevivência, eu sou nada.
Enquanto viajo nesse sistema, enquanto observo, eu estorvo a mente. Olhe diretamente para os meus olhos, sinta o ar viajando pelo sistema do nosso planeta, sinta as vontades... Apenas observe parado, monstruosamente obcecado por alguém. Um alguém qualquer. Um nada.
Por que nada existe? Porque se fosse existir o nada seria eu, no entanto eu sou o nada. Então, o nada existe, atribuindo a mim aspectos do nada. Eu sou um nada, eu sou o nada. Eu sou o melhor nada de todos.
Às vezes enquanto fico correndo na rua, vejo a chuva cair, dançando alegremente com todos os movimentos, olhando o universo enquanto nada gira ao meu redor.
Eu corri do nada. Eu corri de você.
Cadê o nada? O nada não está... O nada não consiste. Em nada se pode tocar, nada se pode alcançar.
Onde está tudo? Tudo não está... Tudo envolve... Tudo vive. O nada está em tudo, o tudo está no nada.
Observe o nada e nada verá, nada saberá e nada descobrirá. No entanto, reflita no nada. E tudo irá descobrir, sem nada apenas.


Vazio

terça-feira, 3 de julho de 2012


O mundo passa repleto de coisas diferentes. O universo conspira contra todos. As ruas ficam cheias de lágrimas. O pássaro observa.

Sozinho, num quarto escuro. Uma música suave, uma luz no fim do túnel.

Às vezes dá vontade de te procurar, saber como você está. Às vezes dá vontade de querer jogar todas as lembranças fora, mas fazer o que?

Seria legal ter notícias suas, te ver de novo, saber um pouco sobre como você está... Acho que eu me sentiria menos culpado, entende?

Mesmo que você queira alguém pra amar, desculpa, hoje não vou estar. Não vai dar... Eu aprendi a te ver apenas como uma pessoa, mais um que passou.

Estou calmo, ainda.

Estou tomando remédios por sua causa, isso está me fazendo ver o mundo melhor.

Deu vontade de falar: “Fica um pouco mais, por que sair? Ainda lembra-se de tudo? Que bom...” Não te impedi de sair, não te obriguei a entrar... Custava não me machucar tanto?

Quando sou eu quem me machuco, eu sei dos limites, sei até onde vou agüentar, mas quando são outras pessoas que machucam... A ferida entra da pior maneira, permanece ali, não seca, fica ao Sol, ardendo.

Ainda estou bem...

E de novo estou sem sentimentos, obrigado.


Mas tudo bem...

terça-feira, 19 de junho de 2012


Perdido nos traços, iludido nos abraços. Com falta de ar.
Hoje em dia, as lágrimas escorrem, a verdade fala, o coração vibra. Não sei mais mentir e esconder o que sinto.

Fiquei só, perdido, calmo, sem graça. Não pude cumprir a ultima promessa. Prometi que ficaria bem... Não fiquei e não estou.

Não existe nada a meu redor, minha vida não tem mais sentido. Seus olhos verdes me feriram tanto, perfuraram meu coração... Você entrou nos meus sentimentos. Obrigado por ter dado uma esperança para o ser desumano que vivia dentro de mim.

Quem se importa comigo? Quem me viu chorar?

A chuva me lembra você, por causa do primeiro encontro que tivemos. Uma garoa fina, sentados numa passarela, um observando o outro, um falando para o outro... Não consigo ficar sem chorar quando chove. Não consigo me apaixonar...


Um pouco do momento

domingo, 17 de junho de 2012


Dilacera o corpo, corrói a alma, destrói a vida. Evita o cérebro, queima a garganta e lhe tira a consciência. É deste veneno que estou precisando... É este veneno que eu quero.
 A distância que percorre. O amor que me destrói. A loucura que me persegue...
Dê-me esse copo de veneno, que passa por todo o corpo, deixa tonta a cabeça, tudo roda e se torna mais bonito. Passa-me essa garrafa de felicidade, me faz virar ela todinha. Tira-me a consciência, faça tudo morrer...
Não tenho medo mesmo, não tenho medo de morrer com esse veneno.
Esse veneno que me fez ver a felicidade, essa garrafa cheia de verdade.
Ao pior momento me dê este veneno maldito que surgiu das sombras, que veio me atormentar.
Faça-me viver enquanto estiver morrendo, faça-me acreditar que este veneno alcoólico não estará me destruindo...
Faça-o queimar o corpo, destruir a alma... Este veneno que me ama. Este amor venenoso que você deixou em mim...
Dê-me um trago desse veneno sólido, faça-me sentir essa droga. Faça-a invadir minha mente, apenas por este momento.
Este veneno supremo... Este amor impiedoso.
Essa droga maldita... Essa sua existência que me fere.


O tempo

sábado, 9 de junho de 2012


O tempo que aqui voa. O tempo que aqui passa. O tempo que ali observa.
O tempo que faz valer a pena, o passado do tempo que nunca existiu. O tempo do futuro meu, o tempo que me mostra a realidade. O tempo do meu presente passa tão depressa, em segundos agonizantes que ultrapassa os seus limites.
O tempo que ali observa tudo marcado, jamais apagado. O tempo não destrói a alma, o tempo que lava a chuva. Observe o tempo te observando...
O tempo que faz a tempestade, o tempo de uma flor. O tempo que me fez sorrir, o tempo que nos fez chorar. O tempo que você dormia no meu colo, o tempo em que eu te via feliz no balanço.
O tempo que nos fez crescer, o tempo que nos auxiliou...
Foi o tempo que nos mudou.





A escola

terça-feira, 29 de maio de 2012


As paredes são pintadas de duas cores: a parte de baixo é verde, a de cima é tão escura quanto à sombra de meus lúcidos pensamentos. O chão é cinza como a minha imaginação que voa por todos os mares e navega por todas as nuvens. Na minha frente fica um quadro cheio de ideias que são escritas e apagadas, ideias que movem o futuro. A luz clareia toda a minha alma, atordoa toda a minha visão e faz meus sonhos embrulharem em caixinhas de presente. A porta abre para todos os futuros, ela também fecha o ar e nos tranca num mar de histórias de idealizações. As cadeiras são verdadeiros tronos postos para os futuros reis e rainhas aprenderem a governar o seu mundo de forma justa. As mesas são infinidades de artistas colocadas como apoio, não só para se segurar, mas também para levantar os sonhos que se foram. Os cadernos são os mais inusitados livros que contém as marcações pessoais de cada um, as canetas são as verdadeiras varinhas que com sua magia dá vida à emoção e ao sentimentalismo. E os professores, ah, finalmente chegamos neles, são eles os verdadeiros deuses que encaminham o futuro de um mundo melhor.



Sorriso quebrado

domingo, 20 de maio de 2012


Uma doce música que me alegrava todos os dias, vários sentidos, vários dizeres. Uma realidade que me fazia chorar, um sentimento diferente de tudo que eu já tinha sentido.
 Uma lágrima que se tornou diária, sem sentido, sem palavras. Uma verdade que me fazia sorrir, um sentimento imaginário que você esgotou.
 Um sorriso que era colocado todos os dias, um rosto bonito, uma boca perfeita. Um corpo que eu jamais iria esquecer. Um corpo que sumiu.
 Você me fazia carinhos, aquecia meu corpo, aquecia meu coração. Fez um mundo bonito girar pra mim, mas... Tão distante.
 Você me olhava nos olhos, me fazia sorrir, me alegrava. Fez um universo se mover dentro de mim, fez um local perfeito...
 Uma janela fechada, um quarto bagunçado, deitado na cama. Sozinho. Não tenho mais ninguém, você se foi... Deixou-me, largou-me, sumiu do meu mundo.
 Meus planos... Minhas vontades, minhas escritas, a atenção que eu te dava. Não tinha porque reclamar. Eu te amei com todo o carinho.
 Estou quebrado, partido, corrompido, destruído. Virei mais um qualquer que passou por você.


Capitalismo

quinta-feira, 17 de maio de 2012


 As ruas todas sujas de sangue, o mar, os rios, o oceano estão sem vida, às árvores só tem as folhas secas e o que restou dos animais estão sendo criados em laboratórios.
 Tem uma sombra negra rodeando todas as noites as mentes das pessoas, doenças já não tem cura, a fome se tornou obrigatória e a humanidade tem seu rosto deformado.
 Ninguém mais pode andar pelas ruas, o Sol está destruindo a pele do ser humano, a Lua não move mais os mares, os planetas estão explodindo...
 E então alguém, ironicamente, grita: “Seja bem-vinda, Burguesia, ande pelas ruas mostrando seu dinheiro como fazia antes.”


Uma vida perdida

sábado, 12 de maio de 2012


Deitado o dia inteiro, naquela cama que parecia não ter fim. Depressivo, angustiado e sem vontades de ver a infinidade de oportunidades que o mundo iria me oferecer. Orgulhoso demais para me render ao pecado, cego demais para ver os deuses rindo da minha desgraça. Não era falta de forças, era falta de vontade.
 Mais um morto, sem ter como renascer, apenas mais um caído na esquina; bêbado e sem necessidades, menor de idade e se drogando com tudo que via pela frente. Aqueles espíritos faziam parte de seu passado, pobre alma, tendo alucinações a cada instante. Sua mão se desprendia de seu coração, sua verdadeira face estava ocultada dentro de tantos sentimentos... Era demais ver aquilo!


Sem ânimo

quinta-feira, 10 de maio de 2012


 Apenas parado, sem movimentos, calado. Observador com todos os que passavam e declarador de sentimentos imperfeitos. Era um amor de primeira hora. Estava tudo tão calmo, tão depressivo quanto podia ser. Vida infeliz. Apenas as frases, sentimentos obscuros, vontades de qualquer, alegria distinta e a procura do álcool perfeito. Nenhuma bebida saciava seus lábios, nada podia alegrar ele. Era um caos dentro de sentimentos inevitáveis, era a saudade que espancava ele, mas ele não queria admitir que fosse tudo realidade.
Tanta realidade pra se falar não é? Logo falar de uma deprimente. Era apenas mais uma.
À vontade distinguida através de seus pensamentos idiotas e que vontade era essa? Era realmente uma vontade qualquer, era uma desilusão amorosa que desfez tudo. Desfez tudo mesmo! Se qualquer pessoa podia fazer isso com ele, não sei, mas não era qualquer pessoa que fez. Foi a pessoa que ele mais amou, foi a pessoa que abandonou ele e deu um fim nisso tudo.
Apenas uma pessoa qualquer, parada, sem movimentos, calada. Observadora como todas as que passavam e declarava-se de sentimentos imperfeitos. Era um amor eterno e qualquer que podia ser sentido do outro lado do computador, mas era apenas mais um que queria iludir o outro. Apenas o fim da vida...
 Ele apenas escrevia, sem saber o que era, sem saber que era um diário...


Sentimentos isolados

domingo, 6 de maio de 2012


Deitado, caído, amargurado em seus próprios lamentos. Obsessivo, destruído e desmaiado em uma esquina qualquer. Enquanto tudo está seguindo um rumo, ele está deitado na chuva. Caminhando, rodando e ouve uma música qualquer.
 Naqueles sonhos mestiços e escurecidos, naquelas realidades sem vida e naquele mundo atual. Tudo não passava de um engano. Tudo estava misturado em grandes confusões, as balas perdidas perfuravam as mentes alheias e alienadas, um ser vivo morto por ali na esquina, os policiais querendo justiça enquanto nada era realmente justo.
 No que nos tornamos?
 Por que essas perguntas voam em minha mente?
 Estou morrendo tão cedo?


O maníaco

quinta-feira, 3 de maio de 2012


Um maníaco como outro qualquer. Desejava ser amado como todos desejariam. Perseguia os pensamentos, via as conversas, se olhava no espelho. Era um estranho. Era imperfeito. Ele podia andar nas sombras, observar os pensamentos, ele podia ser feliz, mas não conseguia. Era um maníaco por natureza, desde que nasceu necessitava de amor. O mundo era totalmente escuro, sem ruas para andar e sem verdades para se acreditar. As pessoas matavam por prazer, as pessoas não tinham coração. Era um maníaco como todos os outros. Ele podia ser você, ele podia ser eu, ele podia ser nós, mas ele preferia ser apenas ele. Não mudava sua personalidade. Ele era um maníaco... Mais um, apenas mais um, que desejava ser amado.
Ele morreu com um livro nas mãos. Um livro de amor.


A garota dos meus sonhos...

segunda-feira, 30 de abril de 2012


Ela era uma menina linda. Cabelos de cor dourada, um olhar perfeito, mas era gorda. Inteligente por natureza, sonhadora como todos, adorava jogos e amava ficar na internet, mas era gorda. Gostava de tudo que era diferente, adorava escrever, tinha sentimentos, mas era gorda. Cuidava da aparência como todos nós, se olhava no espelho, se imaginava linda, mas era gorda. Dançava na rua, deitava na chuva, conversava com os animais e tinha um carinho imenso por seus amigos, mas era gorda. Ela gostava de quando a elogiava, ela adorava saber das notícias novas que lhes davam, ela se importava com as pessoas, mas era gorda.
 Ela era uma menina feia. Cabelos de qualquer cor, um olhar de drogada, mas era magra. Nada inteligente, não tinha sonhos a não ser se drogar, detestava jogos e odiava ficar em casa na internet, mas era magra. Gostava de qualquer bebida que tivesse álcool, detestava escrever, tinha sentimentos, mas era magra. Não cuidava da aparência, se olhava no espelho, se imaginava gostosa, mas era magra. Odiava dançar, odiava a chuva, não se importava com os animais e os amigos dela estavam sempre inconscientes, mas era magra. Ela gostava de quando a elogiava, odiava as novas notícias porque sempre era a morte de alguém, não se importava com ninguém, mas era magra.
 Ela era uma menina estranha. Cabelos que sempre mudavam de cor, um olhar viciante e perfeito, mas era estranha. Não era extremamente inteligente, tinha sonhos gigantescos e fora do comum, adorava jogos e ficar conversando pela internet, mas era estranha. Gostava de animes, mangás, adorava desenhar, tinha sentimentos, mas era estranha. Cuidava da aparência, adorava fazer caretas no espelho, se imaginava sempre como um personagem de anime, mas era estranha. Dançava de qualquer jeito, rodava na chuva, conversava com os animais e adorava abraçar seus amigos, mas era estranha. Ela gostava de quando elogiavam os animes que ela gosta, adorava saber de novos mangás, ela se importava com tudo, mas era estranha.
 A primeira morreu sorrindo, pois encontrou uma pessoa que se dava bem, ficou rica e teve dois filhos. A segunda teve uma overdose e sabe-se lá onde está o corpo. E a terceira... A terceira ainda está nos meus sonhos.


Os pensamentos de um bêbado

quinta-feira, 26 de abril de 2012


O mundo voa num universo tão adverso enquanto todo mundo tudo gira. O mundo enlouquece enquanto tudo isso está apenas vagando. O gato está feliz, o gato preto está perseguindo a minha mente. Tudo foge dos meus controles, eu sou perseguido por todo esse universo. Tudo misturado numa estranha ilusão em que eu te conheci, eu sei que tudo é real nesse mundo em que criamos. Eu sei que tudo mostra a realidade e demonstra os sentimentos verdadeiros.
 Os pássaros estão voando num tom alegre e divertido, tudo está mudando por todos os lados, o mundo está girando para as pessoas que não querem. Eu te vi morto, caído, na grama, te deixei lá com todos os seus amigos e fugi pra debaixo do meu universo. Eu morri por alguns segundos e não te vi no meu eterno paraíso. Te esqueci pra sempre.




Pesadelos de um qualquer

segunda-feira, 23 de abril de 2012


Realidade falsa, agregada em sentimentos imaturos. Parado na esquina, observando os lobos. Lobos vestidos de ovelhas, seres humanos tão falsos que nem dá pra ver quem são. A minha alma perdida em todos os mundos, nem me lembro mais em qual foi. Conversas alheias, olhares astutos, tudo voltando e se tornando um caos profundo. Observe, acene, sorria, sejam falsos como eles são com você. Reações alérgicas, mundo corrompido. Observe, vejam, eles são tão lindos né? E o mundo que ta girando, quem se importa com ele? O mundo será destruído e nós vamos morrer só isso. Ta vendo aquelas crianças chorando de fome? Ignore-as, são apenas crianças. Deus não quis ajudá-las, então por que fazer isso? Malditos seres capitalistas consumistas.
E ta sentindo aquela angústia corriqueira? Ainda não, oras, vamos, sinta-a. Mergulhe nesse mar profundo de pecados, sinta a verdade. O que é certo? O que é errado? Não existe mundo e o universo é apenas mais uma piada contada. Inteligência pra quê se seus músculos te darão o futuro que quer ter? Corra, ouça, sinta o calor.
E se no fundo somos todos iguais? Pra quê dinheiro? Um pedaço de papel que enche as barrigas, um pedaço de papel que nos entrega a felicidade. Um maldito pedaço de papel.
Não pense, não fale, compra e beba. Seja controlado por todo esse sistema maldito, por todos esses lobos vestidos de ovelhas. Seja controlado por todo esse mundo e não perceba. Não estude, ouça, faça. É assim que eles querem. Corra para as colinas! Fuja para outro mundo enquanto ainda tem tempo. Vai, vai, você pode e você sabe disso. Se liberte dessas algemas feitas de papel, se liberte desse universo que te colocaram. 


Pensamentos


O mundo rabiscado. Entrelaçado nas veias do meu corpo, destruído e corrompido por todos os meus amores.

O universo mudo. Sem nenhum som para se ouvir, sem nada para se sentir. Apenas o frio que aquece o coração.

A criação morta. Nada realmente importa, não é? Se não importasse não estaríamos aqui.

A overdose. Nada mais sutil do que sentir o doce veneno sobrepondo todos os seus sentidos e acariciando todos os meus pensamentos.

A loucura. Nada tão incrível, eu diria. Ela é tão normal que eu sei que não pode fazer nada pra me derrubar, não agora.

Os sentimentos. São vazios, com certeza. Não tenho nada mais além do ódio e sofrimento.

O caderno. Foi apenas mais um caderno qualquer, com textos e frases, com meus últimos sentimentos colocados.

O livro. Os sentimentos mortos e corruptos de um ser tão extraordinário que o perdi. Não sei onde o livro está.

A caneta. A cor é preta, preta como meu coração. Esvazia todos os bimestres e eu ainda fico chateado com toda essa escuridão saindo.

As frases. Já se foram.

As fases. Todos temos, todos tememos, todos entendemos, mas na realidade nem existe. A fase da vida não é uma fase nem uma passagem, é uma idéia concreta.

O amor. No momento está sendo doloroso o suficiente pra fazer eu me embriagar só pra esquecer o mundo.

As dimensões. Sim, elas existem. O meu mundo é feito de dimensões estranhas e surreais que formam as minhas verdades.

Deus. Deixou-me em paz, finalmente.

Estudo. Nada mais do que uma forma de me perder e sair do mundo, me revoltar e ficar feliz.

Revolução. Só existe para as pessoas de verdade.

Sonhos. Pra mim são chamados de ilusões, eles não existem. Os verdadeiros sonhos fazem parte da paz.

Ilusões. São pequenos seres voadores que transmitem ideias e imaginam nossos sentimentos.

Mente. Nunca foi humana.

Saudades. É um ser vivo maligno que faz o coração doer todos os dias.

Músicas. Sentimentos das outras pessoas, ideias que não existem, verdades controladas e mídia capitalista.