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Cinzas

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

 Eu a vi correndo para outro mundo, eu a vi surfando por entre os mares que nos separaram. A menina mais linda e doce que eu já pude ver.
 Seus olhos emanavam a cor mais bela do mundo, tão verdes e tão castanhos, seus louros cabelos mostravam o sofrimento que vinha dela.
 Sua voz suave que vinha de mim, sua voz que acalmava a minha alma.
 O seu grito de fuga! A sua felicidade intranscedente, a sua paz, a sua essência.
 O SEU LONGE DE MIM, MENINA! Não me abandone mais. Esteja comigo. Não nos destrua.
 Todos os dias eu sinto a sua falta.



Hércules

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Profecias do caos, adoração aos deuses, vivenciando um mundo novo. Eis que então todos temem ao mundo dos mortais e ambicionam o mundo dos imortais. Seus medos são seus fracassos, jovens.
 A luz que devia iluminar os céus acaba por iluminando os corações, os jovens caídos nas perdições de seres amaldiçoados pelas próprias mãos de seu criador. A luz que devia iluminar as almas agora está fraca. Fraca demais para continuar.
 O som da música fica solta por aí, rondando o mundo em seu eterno silêncio dos imortais, causa a total desgraça daqueles que temem o seu verdadeiro medo. Enquanto tentamos ser os próprios Hércules de nossas naturezas, fracos e vulneráveis.
 Não há mais caos, agora há luz. Porque aonde há vida, aqui, jaz o túmulo da morte.



Há paz?

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A paz, a calma, a paciência.
 Há paz? Há calma? Há paciência?
 Eu quero a verdade da ilusão, quero a paz da alegria. O desejo do mundo rodopiando, a simplicidade vista num dia quente de verão ou num nublado dia de inverno, quero apenas ver os pássaros voando, as nuvens cobrindo minha cabeça, seus tons de cinza e seus tons de branco. Com o céu bem apagado ou bem azulado. Ou só sem nada. Apenas um véu vasto e cheio de diferenças e cores. Qualquer cor, tanto faz, só a paz de saber que há um céu para eu olhar.
 Eu quero o silêncio da calma, quero o vazio sem sentido. A ansiedade do peito que batia direto no coração, sem ruído algum, sem nada, apenas o silêncio e minhas verdades.
 Sem ninguém para me julgar, para me criticar. Sem nada para pensar, sem nada na cabeça. Uma simples meditação que faz com que eu fuja desse mundo. Um simples desejo.
 E na calma, conquistarei a paciência da alma, a verdade de pensar e parar. De questionar e fingir estar tudo bem. Eu quero a verdade escancarada sem brigas, quero a paciência de uma criança.
 Quero aprender a desenhar d enovo, soltar os primeiros passos. Ouvir a primeira risada, a verdadeira paciência de ensinar.
 Acabou tudo. Não há paz, não há calma e nem paciência.
 Para onde o mundo foi parar?


O vazio

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Parece até mentira que isso tudo tenha se desfeito da
            forma que aconteceu. Mentiras aleatórias em momentos de dúvidas, uma realidade paralela.
Sinto sua falta de vez em quando. O frescor do seu perfume e a sua alegria.
Às vezes é complicado explicar o que realmente nos atrai.
Será que o meu mal é também o seu?
Ficamos tão distantes um do outro… Ficamos longe de nós. 
Ao menos estávamos sempre juntos.
Eu preciso alimentar a minha alma com mais doses de conhaque e umas vodcas para aquecer o corpo.
Eu fico pensando em você o dia inteiro, sinto falta do seu cheiro colado em mim.
Sinto muita falta de você.
 Quando podemos voltar a ficar juntos?


Mentiras póstumas

quarta-feira, 14 de novembro de 2012


Um dia estávamos sentados em qualquer beco, em qualquer lugar. Fugindo de toda essa realidade dura e fria. Queríamos apenas fugir para o nosso mundo...
 Eu me perdi dentro de mim, encontrei meus pensamentos vagos e mergulhei na minha funda e sombria mente. Não me encontrei. Aquele beco escuro estava dando medo em qualquer um, mas a minha reflexão jamais me deixaria abandonar meu corpo daquele jeito.
 E com um sorriso você me deixou... Ali, sozinho. Achou que eu estava bêbado demais para poder levantar, eu só estava sério demais. Quieto demais... Eu só estava sendo eu demais.
 Ofereceram-me uma droga qualquer e disseram que eu poderia ocupar meu tempo usando-a e pagando por um preço barato...
 Respondi qualquer coisa e fui ao encontro daquele entorpecente. Deitado tranqüilo dentro de casa... Eu pude usar aquela droga.
 O meu coração acelerado por ter te perdido em meio a tantas coisas ruins... O meu universo parado por instantes seguintes de que eu jamais imaginaria que fosse acontecer.
 Eu só quero fugir pra qualquer lugar hoje. Fugir pra qualquer, beber qualquer coisa. Perder a mente e esvaziar o coração.
 O coração... O meu coração que foi ferido tão brutalmente que eu jamais imaginei que isso fosse acontecer.
 O que você me disse? Piadas sem sentido, conversas aleatórias e um pouco de sentimento vazio entre os dois... Um adeus permanente dentro de mim. Um “oi” falso passando por sua boca.
 Não tivemos um relacionamento. Foi uma farsa aquilo...


Suicídio Mental

segunda-feira, 24 de setembro de 2012


Seu cabelo está bagunçado, seus óculos estão sujos.
 Nem está prestando atenção na aula, o seu mundo está abstrato. As pessoas estão entediadas enquanto o mundo está acabando.
 Seus pensamentos viajam para outro universo, pensa em algum jeito de se matar.
 O veneno está em sua bolsa, ele quer tomar, passará por sua garganta e o gosto amargo envolverá o teu corpo.
 Começa a vomitar sangue, não há ninguém na sala, escreve um simples “adeus” com o sangue na lousa.
 Senta-se no chão, ainda vomitando, seu sangue se espalha por toda a sua roupa preta, ele fica sujo. Os fones estão em seus ouvidos, uma música triste está tocando, seus órgãos são destruídos.
 Não chegou nem há vinte minutos e a dor já está inimaginável, ninguém chega, foi o que ele planejou.
 Quando alguém finalmente entra na sala, este alguém grita.
 O local está todo ensangüentado e ninguém reparou em um texto de despedida que ele escreveu.
 Neste texto foi depositado todo o seu tédio e agonia.
 Ele cavou seu próprio buraco.


Aniversário

quinta-feira, 16 de agosto de 2012


 Olhos fechados, um leve sorriso. Careca, recém-nascido naquele mundo. Lindo, gordinho, saudável.


 Menos alguns anos de vida...

 Já tinha crescido com cabelos loiros, olhos tão escuros que detalhavam a sombra da morte. Alegre, simpático, não parava quieto.

 Menos alguns anos de vida...

 Seus cabelos ficaram escuros. Sua visão já começava embaçar um pouco. Meio gordinho, gostava de fazer piadas, muito mais quieto que antes, já não era agitado.

 Menos alguns anos de vida...

 Começou a escrever com sete anos. Não parava mais, adorava. Gostava de escrever sobre seres místicos, magia, tudo que se podia imaginar.

 Menos alguns anos de vida...

 Deitava na chuva, caía na risada. Na sétima série escrevia sobre mistérios. Gostava de rodar.

 Menos alguns de vida...

 Emagreceu muito. Parou de escrever. Observava o tempo, cantava e dançava. Foi quando começou as aulas de balé. Logo mais tarde começou com ginástica rítmica e street dance.

 Menos alguns de vida...

 Já ficava parado, gostava de ver as pessoas correndo. O mundo era grande, os estudos também eram gigantescos. Repetiu a escola duas vezes, cursando o segundo ano do ensino médio com dezoito.

 Mais alguns de vida...


 Voltou a ser uma criança.


Solidão

terça-feira, 7 de agosto de 2012


Devastado em algum lugar, caído, morto, vivendo sem rumo e aguardando o momento certo para ser levado pela morte.
O que me resta esperar?
 Em um deserto qualquer me perco em pensamentos, anseio pela morte, procuro em algum momento alguém para me ajudar. Estou sozinho. Cadê os meus amigos?
 Percebi hoje que no dia de minha morte não havia ninguém para chorar, não havia ninguém para me salvar.
 A morte demora a me buscar, ela quer ver meu sofrimento. Cadê minha família? Alguém morreria para me salvar? Alguém ao menos se importaria com o jeito que morri?
 Relembro de cada lembrança, reparo nos pequenos detalhes desse flashback que estou tendo.
 Sinto meu corpo formigando, adormecendo, acho que a morte finalmente chegou. Parece que tem alguém me puxando, para onde meu espírito vai? Fecho os olhos e adormeço, não quero ver o rosto dela...
 Acordo em um lugar todo branco... Espere! Alguém me salvou?
 Fico feliz pela morte não ter me abandonado, fico triste por ter morrido sozinho...