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Aniversário

quinta-feira, 16 de agosto de 2012


 Olhos fechados, um leve sorriso. Careca, recém-nascido naquele mundo. Lindo, gordinho, saudável.


 Menos alguns anos de vida...

 Já tinha crescido com cabelos loiros, olhos tão escuros que detalhavam a sombra da morte. Alegre, simpático, não parava quieto.

 Menos alguns anos de vida...

 Seus cabelos ficaram escuros. Sua visão já começava embaçar um pouco. Meio gordinho, gostava de fazer piadas, muito mais quieto que antes, já não era agitado.

 Menos alguns anos de vida...

 Começou a escrever com sete anos. Não parava mais, adorava. Gostava de escrever sobre seres místicos, magia, tudo que se podia imaginar.

 Menos alguns anos de vida...

 Deitava na chuva, caía na risada. Na sétima série escrevia sobre mistérios. Gostava de rodar.

 Menos alguns de vida...

 Emagreceu muito. Parou de escrever. Observava o tempo, cantava e dançava. Foi quando começou as aulas de balé. Logo mais tarde começou com ginástica rítmica e street dance.

 Menos alguns de vida...

 Já ficava parado, gostava de ver as pessoas correndo. O mundo era grande, os estudos também eram gigantescos. Repetiu a escola duas vezes, cursando o segundo ano do ensino médio com dezoito.

 Mais alguns de vida...


 Voltou a ser uma criança.


Solidão

terça-feira, 7 de agosto de 2012


Devastado em algum lugar, caído, morto, vivendo sem rumo e aguardando o momento certo para ser levado pela morte.
O que me resta esperar?
 Em um deserto qualquer me perco em pensamentos, anseio pela morte, procuro em algum momento alguém para me ajudar. Estou sozinho. Cadê os meus amigos?
 Percebi hoje que no dia de minha morte não havia ninguém para chorar, não havia ninguém para me salvar.
 A morte demora a me buscar, ela quer ver meu sofrimento. Cadê minha família? Alguém morreria para me salvar? Alguém ao menos se importaria com o jeito que morri?
 Relembro de cada lembrança, reparo nos pequenos detalhes desse flashback que estou tendo.
 Sinto meu corpo formigando, adormecendo, acho que a morte finalmente chegou. Parece que tem alguém me puxando, para onde meu espírito vai? Fecho os olhos e adormeço, não quero ver o rosto dela...
 Acordo em um lugar todo branco... Espere! Alguém me salvou?
 Fico feliz pela morte não ter me abandonado, fico triste por ter morrido sozinho...