Dois goles
Sussurro
Um dia qualquer, uma manchá de café derramado numa camisa. Algumas das nossas memórias nunca se vão embora... Eu sei, todos decidimos coisas ruins e a pior que eu pude escolher foi não querer continuar.
Você me chamou de "lindo", eu acreditei nas suas palavras. Minhas mãos encostavam nas suas, eram um encaixe perfeito. De vez em quando eu penso no nosso futuro.
E numa outra noite, eu sussurrei seu nome para outro nome. Ele ignorou, virou de lado e dormiu. Está ficando difícil, mas sei que vou esquecer. Você levou a minha paz, foi um caminho a ser escolhido, eu sei. Todos temos que esperar nas nossas estradas o caminho certo aparecer.
E eu nunca esperaria me tornar mais um dos seus, mais uma canção qualquer, mais um esquecido. Cadê a saudade que você disse que sentia?
E de vez em quando eu penso em rastejar até você, mas desisto. Desisto de ter você, desisto de permanecer assim... Com essa música triste me torturando em cada momento.
Dói tanto...
Fuga nº1
Todas aquelas vontades, todos aqueles desejos. A última lágrima que escorre é também a primeira que se derrama. De um caos perturbado, sim, dessa vez tão distante.
Observo a esquina toda cada, cada vez que ouço o barulho dos carros, observo a sua distância fugir de mim. Mas você prometeu... Você fugiu e em cada gota que cai dentro da minha garganta é uma tristeza, uma lembrança, um tudo de mim que se escorre e vai, vai pra longe. Só se vai... Junto a promessas, junto ao mundo. Todos nós já fomos.
Nossas vontades são semelhantes, te entendo quase que perfeitamente, te compreendo e olha, faz tempo que isso não acontece. O nosso mundo foge, o nosso olhar transparece qualquer sentimento ilegal, qualquer coisa que se vá.
E o trem... Aquele trem que passou, aquele nosso mundo que viaja junto, aquela nossa vontade de ir, de rir, de sair, de fugir. Fugir pra outra cidade.
E foi assim que tudo começou, é desse jeito que tá acabando. Fugindo. Fugindo um do outro, fugindo das promessas.
Lembranças
Talvez fosse o mundo que só queria me mostrar tudo... Ou o meu tudo fosse você. Ou não, ou talvez, ou sei lá, mas não sei.
Talvez nada fosse tão complicado e que dessa vez eu me perdi em mim e me achei nos seus braços, deitado numa cama xadrezinha de casal que vira um sofá. Os dois ali. Sozinhos.
Eu estava com a cabeça deitada no seu braço, te abraçando firme e quase chorando...
Não foi um erro, muito menos um acerto. Foi o meu “talvez”, foi o nosso “sei lá” e o seu “não sei”.
Foi tudo um caos junto, mas foi o nosso caos juntinho e foi legal hein.
Quero ter mais caos com você.
E tudo isso fica passando na minha cabeça feito um gravador que nunca para... E tudo isso fica ali, zanzando em tudo que eu penso, mas no que eu penso?
Teoria de probabilidade? Colonização do Brasil? Só queria te ajudar...
E os seus olhos? E aquela boca linda que só você possui?
Foram tantas perguntas, mas nunca teve um meu e um seu, era sempre o nosso...
Nosso primeiro encontro, nosso primeiro beijo, nosso primeiro amor (?).
E toda vez eu me esqueço das horas, esqueço dos compromissos e simplesmente falo que quero te ver. O mundo demora pra girar...
E nos beijamos de novo... Com ou sem romantismo? Debaixo da garoa, na grama, debaixo da chuva, debaixo da árvore, debaixo das cobertas...
O mundo já não me afeta e isso me deprime, é isso que me deprime. Me deprime não conseguir mais sentir o ódio e a raiva que eu sentia do mundo e da sociedade... Porque meu mundo é você, não há por que ter ódio de você.
“E eu me pergunto: O que é que eu sou? Mas eu não sou mesmo nada. E eu me pergunto: O que é que eu fiz? Mas eu não fiz mesmo nada. E eu penso tanto em desistir, mas afinal, eu não ganho nada...”
Seus cabelos não são enroladinhos, mas você é meu moreno. Mas se a gente tá juntinho, quentinho, a gente tá bem... Relaxa, sem problemas.
E dessa vez meu coração se acalmou, meu misto de sentimentos e tudo isso que eu sentia antes sumiu! Não consigo mais escrever coisas melancólicas ou raivosas ou depressivas, só consigo escrever sobre nós.
Olha só, moreno. Vê se olha com jeitinho pro nosso “gostar”...
Cartas Distantes
Conversas paralelas
Solidão
Os pensamentos de um bêbado
Pesadelos de um qualquer








