A realidade
dele é diferente da minha. Ele é um belo homem, perfeito, com defeitos e
qualidades. E eu sou um mero humano, normal, imperfeito, cheio de dúvidas e com
pouca grana.
Ele quer e consegue tudo do jeito dele.
Eu quero e luto pra conseguir tudo da melhor
maneira.
Ele se matou...
Eu continuo aqui!
Ele gostava da perfeição, era um
perfeccionista.
Eu gostava da realidade. Foi à realidade que o
matou.
Agora eu o entendo, mas será que algum dia ele
me entendeu?
Ele se matou ao descobrir que jamais poderia
deixaria o mundo perfeito e que o mundo dele era mais do que imperfeito.
Que mundo louco, não?
A perfeição dele era abstrata, não podia
ser compreendida e cada um observava de
uma maneira.
A minha imperfeição era real e todos podiam
entender.
Já parou pra pensar que nunca iremos conseguir
parar pra pensar porque o pensamento se move uma maneira rápida demais?
Bem vindo à Morte.
E eu me esqueci de agradecer a ele por ter me
ensinado a compreender algo abstrato.
A vida é abstrata.

