Nós

sábado, 31 de março de 2012


Quando éramos amigos, éramos inimigos. Lembra-se? Ah, com certeza. As brigas semanárias, a união diária. Meses e meses. Assim permaneceu. Algo bateu na porta com um pedaço de papel colado na cabeça: adeus. Anos e anos passaram-se. Há pouco tempo, encontramo-nos. Você bateu em minha consciência, e eu abri. Lembro-me claramente de ter esbarrado com você, e, desde então, continuamos nos batendo, nos odiando, mas também sendo os melhores amigos. Agora eu te espero. Aliás, nós nos esperamos. Nossas personalidades problemáticas e loucas vão se encontrar novamente. Por incrível que pareça, continuaremos sendo inimigos, porém, amigos. E nós? Nós vamos nos separar! Nós vamos nos juntar! Mais uma e mais uma vez, continuando assim, até que... Até que o que?    


Desejos, vontades e anseios.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Um livro aberto na mesa, uma caneta vermelha qualquer jogada perto do livro e várias vontades. Talvez aquilo fosse a verdadeira paz... Ou a solidão. Enquanto tenho devaneios e sonhos, enquanto eu amo e odeio todas as pessoas que fizeram parte do meu passado, eu relembro de cada momento. Que saudades de ser uma eterna criança, sem precisar me preocupar com coisas chatas e bestas, sem entender e sem me preocupar com o que existe e com o que nunca existirá, sem precisar entender todas as teorias feitas pelos grandes da história... Que saudade... Mas foi por causa dessa solidão que tenho que me fazer ser o que sou no momento em que a solidão que me conforta e o silêncio é o único que me ouve nos momentos vagos. Bate tanta saudade daquela alegria gigantesca, aquela vontade de se provar de que a imaginação era tão real quanto tudo o que temos hoje em dia. Foi a solidão que me fez assim... Enquanto me deito, só, na cama, tento imaginar alguém ao meu lado. Novamente me sinto só... Sem ninguém ao lado, só com um livro de quase sessenta e oito anos pra me ajudar. Só com os desejos de um sonhador qualquer, só com as vontades de voar e sair gritando no meio da rua, de madrugada, só pra acordar os vizinhos, mas nada disso acontecerá... Só tem a solidão pra me confortar e os desejos de um mero sonhador qualquer, que nem ao menos consegue sustentar os desejos e as vontades que tem. Sou apenas mais um voador, mais um iludido, mais um sonhador...



Anjos...

domingo, 25 de março de 2012


Estava tudo tão escuro, a morte caminhava. Eu podia sentir o espaço vazio, sentir o medo injetando altas doses de desilusão dentro do meu coração. Não era nada deprimente, era apenas a realidade batendo mais uma vez na minha cara. Aquela overdose que eu sentia a overdose da humanidade, esse cálice cheio de sangue inocente. Os olhos vendados pela justiça, os políticos passando suas lâminas entre os pescoços daqueles mais pobres. Essa destruição que eu podia sentir era a revolução dos mortos... A desilusão ainda era injetada, seu veneno era tão doce quanto à vodka. Eu estava ficando revoltado com todos. Aquele mundo capitalista e miserável, aquele universo paralelo ao qual eu participava. O ódio de um pecador, sim eu era um pecador. Enquanto o sangue inocente era posto em cálices de cristal, a overdose capitalista acontecia ninguém fazia nada. Ninguém movia um dedo. As almas gritando com um som agudo e mortal, um grito da verdade; os corruptos se deliciando e se limpando com seu dinheiro negro.
 Estava posto um inferno liderado pelo próprio capitalismo, aqueles malditos... Todos entrando em declínio, todos se destruindo em seu orgulho. Era aquilo que o SER HUMANO havia criado, era aquilo que todos tínhamos que confrontar. Era a verdade mostrada em minha face enquanto os outros permaneciam quietos.
 Mas... O que era aquilo que iludia e alegrava meu coração? Era um anjo sem asas? Ah, não, eram apenas animais dóceis aos quais os humanos faziam questão de matar e torturar. Era a realidade, dessa vez, mostrada com lindos olhos e uma alma pura. Ainda assim, aquele animal tinha de morrer. A morte dele abriu meus olhos. Eu vi a realidade, era tão linda quanto à verdade. Era surreal demais. E então me encontrei com a morte. Sem poder mostrar a realidade, sem querer ver. Ninguém pôde ver, pois fui agraciado pela face de um Deus, um Deus maldito. A realidade misturada com a verdade era algo tão perfeito quanto as nossas almas. Impossível de descrever aquele lindo anjo... 
 Eram os meus doces anjos...


O fim...

terça-feira, 13 de março de 2012


Todos aqueles sentimentos será que foram vazios? Será que existiram? Toda aquela alegria, todo aquele medo que eu sentia... Será que foi tudo falso? O que foi que eu senti? Por que eu tinha que te amar? O sangue escorrendo por todas as facas, os pulsos cortados, a dor se lamentando pelo amor... O que era aquilo? Foi uma realidade vazia, foi uma realidade morta, foi à verdadeira realidade. Todas aquelas músicas que eu te fazia escutar, todos aqueles desenhos que você me fez ver... Tudo aquilo fez parte de uma vida. E isso quebra tanto meu coração... É como se a saudade fosse um tijolo sendo atingindo todos os dias a minha cara, é como se tudo aquilo não fosse verdadeiro. O que significa o verdadeiro? E aquelas músicas francesas, você se lembra? Os dias que passamos rindo juntos, os dias que ficamos na cama dormindo, o dia em que ficamos esperando na rua... O dia em que nos encontramos. Quando retirei sua blusa, quando olhei em teus olhos e meus desejos começaram a fluir... Enquanto tudo aquilo estava sendo real, ao menos pra mim, era verdadeiro? Teu poema sob o abajur... As frases de músicas, as lindas melodias que tocávamos juntos, os prazeres que tínhamos apenas em irritar um ao outro... A verdade escondida, a realidade não mostrada, a morte alastrada, a inquietação verdadeira, as rimas sem sentido, os poemas vazios... Tudo se passou como se fosse o vento, tudo fez as voltas que devia dar e saiu de nossos controles, as raivas começaram a tomar conta de nós dois... Quem era? O barulho na porta, alguém batia com força, a força bruta que nos desmoralizava, o medo que percorria em nossas mentes... A verdade mostrada, a realidade nos espancando aos poucos e nem percebemos. Morremos um sem o outro. E as facas, meu amor, as facas ainda percorrem as veias de meu corpo. Eu prometi que não choraria, disse que estava forte o suficiente pra agüentar... Mas nunca estamos preparados o suficiente. E foi assim que eu pude sentir toda a tristeza de te perder, a tristeza que eu lamentava não poder recolher, a tristeza que saiu de dentro de mim e grudou em meu corpo. Não há nada mais triste do que me ver assim... Caído nas estradas, com a garrafa de vinho nas mãos, vomitando a minha alma, destruindo meu fígado, sentindo a loucura... Aquela loucura que desejou voltar.