Estava
tudo tão escuro, a morte caminhava. Eu podia sentir o espaço vazio, sentir o
medo injetando altas doses de desilusão dentro do meu coração. Não era nada
deprimente, era apenas a realidade batendo mais uma vez na minha cara. Aquela
overdose que eu sentia a overdose da humanidade, esse cálice cheio de sangue
inocente. Os olhos vendados pela justiça, os políticos passando suas lâminas
entre os pescoços daqueles mais pobres. Essa destruição que eu podia sentir era
a revolução dos mortos... A desilusão ainda era injetada, seu veneno era tão
doce quanto à vodka. Eu estava ficando revoltado com todos. Aquele mundo
capitalista e miserável, aquele universo paralelo ao qual eu participava. O
ódio de um pecador, sim eu era um pecador. Enquanto o sangue inocente era posto
em cálices de cristal, a overdose capitalista acontecia ninguém fazia nada.
Ninguém movia um dedo. As almas gritando com um som agudo e mortal, um grito da
verdade; os corruptos se deliciando e se limpando com seu dinheiro negro.
Estava posto um inferno liderado pelo próprio
capitalismo, aqueles malditos... Todos entrando em declínio, todos se
destruindo em seu orgulho. Era aquilo que o SER HUMANO havia criado, era aquilo
que todos tínhamos que confrontar. Era a verdade mostrada em minha face
enquanto os outros permaneciam quietos.
Mas... O que era aquilo que iludia e alegrava
meu coração? Era um anjo sem asas? Ah, não, eram apenas animais dóceis aos
quais os humanos faziam questão de matar e torturar. Era a realidade, dessa
vez, mostrada com lindos olhos e uma alma pura. Ainda assim, aquele animal
tinha de morrer. A morte dele abriu meus olhos. Eu vi a realidade, era tão
linda quanto à verdade. Era surreal demais. E então me encontrei com a morte.
Sem poder mostrar a realidade, sem querer ver. Ninguém pôde ver, pois fui
agraciado pela face de um Deus, um Deus maldito. A realidade misturada com a
verdade era algo tão perfeito quanto as nossas almas. Impossível de descrever
aquele lindo anjo...
Eram os meus doces anjos...


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