Anjos...

domingo, 25 de março de 2012


Estava tudo tão escuro, a morte caminhava. Eu podia sentir o espaço vazio, sentir o medo injetando altas doses de desilusão dentro do meu coração. Não era nada deprimente, era apenas a realidade batendo mais uma vez na minha cara. Aquela overdose que eu sentia a overdose da humanidade, esse cálice cheio de sangue inocente. Os olhos vendados pela justiça, os políticos passando suas lâminas entre os pescoços daqueles mais pobres. Essa destruição que eu podia sentir era a revolução dos mortos... A desilusão ainda era injetada, seu veneno era tão doce quanto à vodka. Eu estava ficando revoltado com todos. Aquele mundo capitalista e miserável, aquele universo paralelo ao qual eu participava. O ódio de um pecador, sim eu era um pecador. Enquanto o sangue inocente era posto em cálices de cristal, a overdose capitalista acontecia ninguém fazia nada. Ninguém movia um dedo. As almas gritando com um som agudo e mortal, um grito da verdade; os corruptos se deliciando e se limpando com seu dinheiro negro.
 Estava posto um inferno liderado pelo próprio capitalismo, aqueles malditos... Todos entrando em declínio, todos se destruindo em seu orgulho. Era aquilo que o SER HUMANO havia criado, era aquilo que todos tínhamos que confrontar. Era a verdade mostrada em minha face enquanto os outros permaneciam quietos.
 Mas... O que era aquilo que iludia e alegrava meu coração? Era um anjo sem asas? Ah, não, eram apenas animais dóceis aos quais os humanos faziam questão de matar e torturar. Era a realidade, dessa vez, mostrada com lindos olhos e uma alma pura. Ainda assim, aquele animal tinha de morrer. A morte dele abriu meus olhos. Eu vi a realidade, era tão linda quanto à verdade. Era surreal demais. E então me encontrei com a morte. Sem poder mostrar a realidade, sem querer ver. Ninguém pôde ver, pois fui agraciado pela face de um Deus, um Deus maldito. A realidade misturada com a verdade era algo tão perfeito quanto as nossas almas. Impossível de descrever aquele lindo anjo... 
 Eram os meus doces anjos...


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