Todos aqueles sentimentos será que foram vazios? Será que existiram? Toda aquela alegria, todo aquele medo que eu sentia... Será que foi tudo falso? O que foi que eu senti? Por que eu tinha que te amar? O sangue escorrendo por todas as facas, os pulsos cortados, a dor se lamentando pelo amor... O que era aquilo? Foi uma realidade vazia, foi uma realidade morta, foi à verdadeira realidade. Todas aquelas músicas que eu te fazia escutar, todos aqueles desenhos que você me fez ver... Tudo aquilo fez parte de uma vida. E isso quebra tanto meu coração... É como se a saudade fosse um tijolo sendo atingindo todos os dias a minha cara, é como se tudo aquilo não fosse verdadeiro. O que significa o verdadeiro? E aquelas músicas francesas, você se lembra? Os dias que passamos rindo juntos, os dias que ficamos na cama dormindo, o dia em que ficamos esperando na rua... O dia em que nos encontramos. Quando retirei sua blusa, quando olhei em teus olhos e meus desejos começaram a fluir... Enquanto tudo aquilo estava sendo real, ao menos pra mim, era verdadeiro? Teu poema sob o abajur... As frases de músicas, as lindas melodias que tocávamos juntos, os prazeres que tínhamos apenas em irritar um ao outro... A verdade escondida, a realidade não mostrada, a morte alastrada, a inquietação verdadeira, as rimas sem sentido, os poemas vazios... Tudo se passou como se fosse o vento, tudo fez as voltas que devia dar e saiu de nossos controles, as raivas começaram a tomar conta de nós dois... Quem era? O barulho na porta, alguém batia com força, a força bruta que nos desmoralizava, o medo que percorria em nossas mentes... A verdade mostrada, a realidade nos espancando aos poucos e nem percebemos. Morremos um sem o outro. E as facas, meu amor, as facas ainda percorrem as veias de meu corpo. Eu prometi que não choraria, disse que estava forte o suficiente pra agüentar... Mas nunca estamos preparados o suficiente. E foi assim que eu pude sentir toda a tristeza de te perder, a tristeza que eu lamentava não poder recolher, a tristeza que saiu de dentro de mim e grudou em meu corpo. Não há nada mais triste do que me ver assim... Caído nas estradas, com a garrafa de vinho nas mãos, vomitando a minha alma, destruindo meu fígado, sentindo a loucura... Aquela loucura que desejou voltar.


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