Suicídio

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Eu não quero ouvir. Eu não quero falar.
 Quero apenas me jogar dessa sacada.
 A vida já me bateu demais, a vida já me causou problemas demais. A minha vida já está ruim e a morte será meu único alívio.
 Eu já não quero mais aquele café. Eu já não quero mais nada.
 Quero apenas olhar para baixo e sentir o vento esvoaçando no meu cabelo.
 Ninguém mais se importa. Ninguém mais ouve. Ninguém mais me convence.
 "Somos programados pra cair".
 A minha vida já fez demais, ela tá cansada. Assim como eu. Me dói saber que já deu.


Tempo Perdido

Todos os dias é a mesma ressaca moral. Você é meu primeiro pensamento da manhã e o último da noite.
 Eu já perdi o nosso tempo.
 As suas lágrimas eram sagradas e tão belas do que qualquer outra coisa, lágrimas selvagens que fugiram desse triste olhar.
 Veja o sol que ilumina essa manhã acinzentada, uma tempestade da cor de seus olhos castanhos.
 Me abraça. Me abrace o mais forte possível. E me diga que vamos fugir disso tudo, que vamos nos distanciar.
 Me abraça e me faça chorar com essas músicas que te fazem lembrar de mim.
 O nosso tempo já está perdido?
 Ainda somos tão jovens, mas tão velhos. Ainda podemos ser algo.
 Ainda podemos ter algo?


Te esqueci

Quando, enfim, se encontra em um instinto, em uma vontade, um desejo incontrolável.
 Amordaço em pedaços. Uma maravilha, uma eternidade. Mostrada em fragmentos de lealdade, falsidade. Oculto nas sombras, destruído pela própria moralidade.
 Um beijo ou dois. O que aconteceu naquela noite? Aquelas verdades que você dizia enquanto bebia mais uma taça de vinho, mostrando a sua suavidade. O que aconteceu de verdade? Aquelas marcas de anseio, de vontade de devorar. Aquela criatura que surgiu de dentro da água, aquela desgraça trazida entre dois copos (ou mais) de cachaça barata.
 Estamos mortos e só você não notou.
 Eu não me importo e pela sua voz eu jamais vou implorar novamente. Pelos seus olhos esquecidos nas margens de meus pensamentos eu jamais vou te amar de novo.
 Desculpa se te esqueci. Foi sem querer. Até porque eu prefiro açúcar no meu café do que adoçante.


Perfume do Invisível

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Acordei com o seu perfume do meu lado. Sua inebriante voz batendo na minha cabeça a calma que eu devia ter.

 "Foi só um sonho", você me disse.
 Vesti o seu corpo no meu, num eterno abraço. Nossas mentes juntas, unidas ao acaso do destino. 
 E então, me despi de seu corpo. O seu perfume continuou em mim, senti a sua calma. A nossa calma.
 Meu pesadelo cessou e eu pude dormir em paz.
 O que tava em mim quietinho foi se movendo ao seu lado, como em um doce balanço.
 Me enrolei no cobertor, te procurando. E por mais que o cigarro aceso mostrasse a presença de alguém no local, eu não te achei.
 Seu perfume permanecia no meu corpo, o seu corpo permanecia ilustrado em mim como tatuagens direto na pele.
 Por mais longe que você estivesse e por mais distante que fosse, o cheiro do seu café permanecia na minha casa. O seu cigarro, agora já apagado, mostrava o quanto eu já tava viciado em você. 
 Eu sinto a sua falta todos os dias. A todo instante sinto o seu perfume invisível colado em mim.


Desejo e vontade

Meu olho tá pesado e a minha respiração tá fraca. Tenho vontade de vomitar.

 Minha cabeça gira em torno de todas aquelas memórias e meu estômago se revira a cada vez que penso em você.
 O sexo era bom, mas só isso. Só a gozada já me fazia feliz e nada mais.
 A saudade que sinto de você é, na verdade, apenas do prazer carnal. Já deu né? Vamos ser realistas, nada disso deu certo.
 Já to cansado desse sangue escorrendo dentro do meu vazio, já to passando mal. Perdi muito. Perdi tudo. Perdi você.
 E por mais que eu ainda queira sentir o seu corpo junto ao meu, tudo isso em tudo aquilo, por mais que eu deseje, a minha moral me impede.
 Eu ainda sou ético.
 E eu ainda te odeio.


Há paz?

A paz, a calma, a paciência.
 Há paz? Há calma? Há paciência?
 Eu quero a verdade da ilusão, quero a paz da alegria. O desejo do mundo rodopiando, a simplicidade vista num dia quente de verão ou num nublado dia de inverno, quero apenas ver os pássaros voando, as nuvens cobrindo minha cabeça, seus tons de cinza e seus tons de branco. Com o céu bem apagado ou bem azulado. Ou só sem nada. Apenas um véu vasto e cheio de diferenças e cores. Qualquer cor, tanto faz, só a paz de saber que há um céu para eu olhar.
 Eu quero o silêncio da calma, quero o vazio sem sentido. A ansiedade do peito que batia direto no coração, sem ruído algum, sem nada, apenas o silêncio e minhas verdades.
 Sem ninguém para me julgar, para me criticar. Sem nada para pensar, sem nada na cabeça. Uma simples meditação que faz com que eu fuja desse mundo. Um simples desejo.
 E na calma, conquistarei a paciência da alma, a verdade de pensar e parar. De questionar e fingir estar tudo bem. Eu quero a verdade escancarada sem brigas, quero a paciência de uma criança.
 Quero aprender a desenhar d enovo, soltar os primeiros passos. Ouvir a primeira risada, a verdadeira paciência de ensinar.
 Acabou tudo. Não há paz, não há calma e nem paciência.
 Para onde o mundo foi parar?


Lágrimas de vidro

quinta-feira, 15 de setembro de 2016


Não espere nada de mim. Não espere que eu caia nessa ladainha de novo.
Meu amor, seja lá o que for, já acabou. Não é possível amar e raciocinar direito. As minhas paixões são tantas.
Prepare-se para pagar a sua conta.
Eu te amei mais do que você podia se amar.
Eu juro que tentei, eu juro que fiz todos os nossos textos e escrevi o nosso roteiro.
Eu bati um carro em seu nome, bati a nossa alma enquanto ela lacrimejava de dor.
O tempo passou e nós ficamos fazendo cena para o público.
Aguarde os aplausos.

Eu só não quero ser o último a chorar, por isso eu prefiro sair desse barco antes que ele afunde.


No hotel


Há algumas verdades que não devem ser ditas. Há certas coisas que devem ficar no silêncio.
Um quarto de hotel vazio com nossas almas.
Eu menti pra você naquele dia. Eu estava com outro. Eu sempre estive com outro.
Eu menti muito para nós dois. Eu menti tanto.
Eu tinha medo.
Tinha coisas que nos satisfaziam, tinha tanta coisa que eu gostava em você. Eu não queria te perder.
Se você quer saber o que eu quis, não devia perguntar. Você me conhece.
O tempo passa e eu pensei demais, eu menti demais… Eu menti.
Isso me dói, mas não me arrependo.

Eu não queria ter que seguir sozinha.


Cálice!


Existia um mundo. O meu mundo. E ele já está em decadência. A luz já estava apagada nele, a escuridão dominava com todos os seus males.
Um cálice de sangue que transbordava na alma dos imortais, falando do quanto eram poderosos. Havia corrupção para todos os lados. Ninguém mais ouvia gritos.
E mesmo eu pedindo, o cálice chegava todos os dias mais perto de meus lábios.
A cerejeira estava morta.
Por mais que eu inventasse os meus pecados, por mais que eu gritasse por socorro, as portas estavam todas fechadas.
O silêncio era destruidor. Ele me matava por dentro.


Talvez o mundo não seja pequeno. Nem seja a vida um fato consumado. Quero inventar o meu próprio pecado. Quero morrer do meu próprio veneno. Quero perder de vez tua cabeça. Minha cabeça perder o teu juízo. Quero cheirar fumaça de óleo diesel. Me embriagar até que alguém me esqueça.” — Chico Buarque.


Mentiras

sexta-feira, 9 de setembro de 2016


Eu acreditei tanto nas suas palavras, acreditei tanto nas suas fases. Eu acreditei tanto em você.
Acontece que você me enganou por todos os anos que estivemos juntos, você dizia me amar, mas negava tudo o que acontecia entre a gente.
O que eu devo fazer para ser bom pra você?
Eu mudei tanto de mim, amadureci tanto e estou tão diferente do que jamais estive.
Não sei se você me perdeu ou fui eu quem te perdi, nossos fantasmas ficam unidos nessas noites escuras.
Me disseram por aí que você me amaria a todo custo, mas o quanto custou isso tudo que aconteceu?
Eu tenho tantas dúvidas que calam as minhas noites, tantas questões que me tiram o sono.
A dor de ter tudo o que eu pude ter e agora não tenho mais.
Por que não dei valor o suficiente pra isso?

O que aconteceu entre nós?


Imaturidade


Ouça até enlouquecer. A sua mente perturbada não pode piorar. Os sentimentos amargos não podem ser engolidos.
O doce aroma do desejo. O doce sabor da infelicidade.
Irônico.
Tudo isso está transbordando no seu copo, cuidado para não derrubar a sua bebida. Não se derrama tanto álcool assim.
Não me diga que estou errado, eu já sei disso. Não precisa falar do quanto estou sendo amargo, do quanto eu xingo a minha alma todos os dias. Não precisa dizer.
Não precisa dizer mais nada.

Ainda sou tão imaturo quanto você.



Doença


A doença se espalha rápido pelo corpo. Destrói a mente, corrói as células. Você sente ela, você entende ela.
Ela já está dentro de você.
Essa dor latejante que não cessa e incomoda a cada instante. Esse ardor na alma, a falta de respiração que incomoda.
As pernas moles de tanto andar, cansadas de sofrer com essa doença. Os olhos caídos, quase fechados.
A fome que quase não se sente na tontura descontente.
Esse ardor pelo corpo, a febre que alucina e faz perder os sentidos.

E o cansaço de estar assim.


Amor & Sexo

terça-feira, 30 de agosto de 2016

 Seus lábios de mel tinham um veneno irresistível.
             Você era a fogueira e eu a sua fumaça. Eu não sei pedir pra você queimar devagar, mas eu sei muito bem onde as suas chamas devem chegar.
Eu não entendi se você só queria o meu corpo, ou se queria me matar.
Só que você foi o mais perto do que cheguei de morrer.
E eu quero essa sensação de novo. Você está com um tom feroz e ativo, que me provoca e alucina. Quero entrar nesse seu carro e fugir para a primeira praia que tiver.
Você foi o que mais tentou me matar de prazer.
Foi você que me jogou e me usou como um brinquedo e eu gostei da sensação.
Você me enlouquece e dá prazeres, quero ser só seu. Quero ser a sua boneca de luxo.
O meu sorriso contaminado de um beijo adocicado, as minhas músicas tocando refrões a todo instante.

Venha cá. Vamos brincar nesse teu jogo sujo.



Alma

 Me dê! Me dê esse néctar doce. Me dê essa alma destruída. Me consuma com seu capitalismo exacerbado. Me destrua por dentro.
Ao menos um copo desse, com as pedras de gelo no meio. Para que eu não possa sofrer com esse veneno descendo pela garganta.
Me dê um copo desse meio amargo mesmo, ele vai me consumir de fora e me tontear por dentro. Me dê um pedaço desse doce impregnado com a sua alma.
Por favor, me dê um pouco do seu veneno. Esse mesmo que escorre dos seus lábios e avança na alma. Esse copo que você segura, esse pedaço de mau caminho que está na sua boca.
Me dê, ao menos um pouco disso que você bebe. Me dê essa sua angústia, me dê essa tua tristeza.
Esse copo que tem um pedaço de calma com duas pedras de gelo.
Duas pedras de coração.
Me mostre esse teu caos.

Me dê a sua mão, essa que segura esse teu copo. Me dê um pouco do seu corpo.



Sushi

Eu tentei. Te dei meu coração. Você deu lá as suas desculpas.
Nem sempre se encontra um amor tão perto.
Talvez seja melhor assim, vivemos uma vida de solteiro a dois.
Devolva meu coração, preciso dele.
Querido, já não dá mais. Meu corpo feminino e renegado, minha alma que foi destruída e toda essa dor que você já causou. Eu já não suporto mais isso.

Amor é só choradeira e horror a vida inteira, a beira da loucura. E a dor, e a dor, e a dor…  


Descansar

terça-feira, 14 de junho de 2016

 Eu só quero dormir. Dormir pra sempre.

 Eu quero descansar, entrelaçar num eterno descanso.
Eu to cansado de ter que ser alguém, to cansado de tudo se 
basear em coisas banais. To cansado de viver.
Só quero encontrar a minha paz. A gente inventa amor e 
dor e nossos prazeres carnais, mas eu quero ir só. 
Quero descansar nessa escuridão sozinho.
Quero descer para o abismo, esquecer que o mundo existe. 
Só quero nunca mais existir.

Eu quero que você saiba, meu bem, te carrego sempre no meu coração.


Dois goles

 Eu tinha tudo o que sempre quis. Eu tinha amor, 

amigos e uma garrafa de vodca.
Eu tinha uma verdade, eu era dono da razão. Eu rabiscava o meu corpo e alimentava a minha alma com poesias.
 Eu podia ter o que eu quisesse, bastava um olhar e eu conseguia. O tempo parece uma bebida forte demais, subiu depressa.
 A minha respiração era boa, eu aguentava qualquer coisa. Eu via tudo se destruindo e me mantinha em pé. 
 Eu era meu anjo, eu era meu demônio.
 Parece que a poesia foi se apagando conforme o corpo 
foi se lavando e alma morreu de fome.
 Não sei mais quem sou. Eu me perdi nesse tempo todo.

 Eu bebi demais e os anos passaram muito rápido.





Conhaque

 Perdi as nossas músicas românticas. Bebi demais

 naquela noite, escapei do meu silêncio. Gritei para o mundo, ouvi as verdades e destruí a maldade que havia em mim…
Perdi as nossas cartas, nossas almas, perdi as poesias que você me escreveu. Perdi o rumo da nossa casa, perdi a verdade que você havia me declarado.
… Perdi o nosso mundo.
Acabei com tudo isso que sentia e minha maior lembrança de você é um copo de conhaque sem gelo.
Tudo o que nos restou foi a desmoralização.
Talvez se eu tivesse brigado menos, exigido menos… Talvez se eu pudesse esquecer, se eu pudesse matar esse sentimento de rancor.
Talvez…
O mundo não dá voltas contrárias, ele não retorna para o ponto de partida.
Eu não pude esperar você mudar.


A dança

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Diante dos teus olhos observo uma música. Uma

 melodia maravilhosa tocada com apenas um olhar.
A significativa dos teus lindos cabelos ao vento e o seu sorriso maravilhoso.
Seus lábios rosados se transformam numa tentação para a
 minha boca, seu olhar fugaz e revelador demonstra o que eu realmente quero.
O seu corpo, banhado num doce aroma de rosas, me atrai com tentação. Ele dança e balança apenas para mim.
As suas dobrinhas e essas estrias marcando um mapa maravilhoso no qual eu quero descobrir com a sutileza. Um mapa que desejo amar a todo instante. Esse teu corpo que cobre o meu. 
Eu falho em te conquistar, mas toda essa sua beleza me envolve em um doce balanço eterno.



O vazio

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Parece até mentira que isso tudo tenha se desfeito da
            forma que aconteceu. Mentiras aleatórias em momentos de dúvidas, uma realidade paralela.
Sinto sua falta de vez em quando. O frescor do seu perfume e a sua alegria.
Às vezes é complicado explicar o que realmente nos atrai.
Será que o meu mal é também o seu?
Ficamos tão distantes um do outro… Ficamos longe de nós. 
Ao menos estávamos sempre juntos.
Eu preciso alimentar a minha alma com mais doses de conhaque e umas vodcas para aquecer o corpo.
Eu fico pensando em você o dia inteiro, sinto falta do seu cheiro colado em mim.
Sinto muita falta de você.
 Quando podemos voltar a ficar juntos?


Desculpas

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Desculpe-me por tudo que já te causei, por toda dor, 

por toda lágrima. 
Agora eu entendo. Entendo que meu lugar é nas nuvens e você não sabe voar como eu. Agora eu entendo que vou ter que prosseguir sem você.
 Eu finalmente pude entender que a sua vida agora é com outro. Já não tem mais lugar para mim. Esse seu mundo já não me pertence mais. 
 O sol nasce no leste e no oeste morre depois, o nosso já chegou no oeste. Eu sei que meu tempo acabou, sei que você tentou algo e não deu. Eu ignorei, te feri, fui cruel. Desculpa por tudo. 
 Não vou esquecer o teu sorriso e nem da sua, muito menos da sua cara de alegria. Eu não vou me esquecer dos seus doces lábios e nem de seu corpo que sempre me envolveu num doce balanço. Eu queria esquecer a dor que causamos um ao outro, queria poder apagar todo esse remorso. 
 Algum dia, eu espero, seu coração já não estará mais tão gelado quanto o meu já foi um dia. Não te desejo isso. 
 Vamos apenas relembrar aquela nossa música. Ouvir ela várias vezes para que possamos recordar de todos os nossos momentos juntos. 
 Vamos relembrar a nossa Oração.