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Cinzas

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

 Eu a vi correndo para outro mundo, eu a vi surfando por entre os mares que nos separaram. A menina mais linda e doce que eu já pude ver.
 Seus olhos emanavam a cor mais bela do mundo, tão verdes e tão castanhos, seus louros cabelos mostravam o sofrimento que vinha dela.
 Sua voz suave que vinha de mim, sua voz que acalmava a minha alma.
 O seu grito de fuga! A sua felicidade intranscedente, a sua paz, a sua essência.
 O SEU LONGE DE MIM, MENINA! Não me abandone mais. Esteja comigo. Não nos destrua.
 Todos os dias eu sinto a sua falta.



Mentiras

domingo, 13 de agosto de 2017

Eu acreditei tanto nas suas palavras, acreditei tanto nas suas fases. Eu acreditei tanto em você.
 Acontece que você me enganou por todos os anos em que estivemos juntos, você dizia me amar, mas negava o que acontecia entre a gente.
 Eu mudei tanto de mim, amadureci tanto e estou tão diferente do que jamais estive.
 Não sei se você me perdeu ou fui eu quem te perdi, nossos fantasmas ficam unidos nessas noites escuras.
 Me disseram por aí que você me amaria a todo custo, mas quanto custou tudo isso que aconteceu?
 Eu tenho tantas dúvidas que calam as minhas noites, tantas questões que me tiram o sono.
 A dor de ter tudo o que eu pude ter e agora não tenho mais.
 Por que não dei valor suficiente pra isso?
 O que aconteceu entre nós?


Ódio em duas gotas

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Fechando os olhos, reviro a cabeça. Meu mundo já amanhece bagunçado e tudo o que eu mais quero é voltar pra cama. Há algo de errado. Num mundo tão caótico tudo o que eu consigo imaginar é a morte daqueles que me desejam o mesmo... Só consigo expressar a raiva e as emoções que me atingem de uma forma tão distante.
 Se eu chorar, talvez eu até consiga te ver tão contente. Um pão com café pra tornar a noite, mas quem sabe eu nem queira isso tudo. Quem sabe eu só quero destruir o teu império?
 Vem pra mim, vem pra mim... Vem! Corre, corre ao meu chamado, venha. Rápido. Sem querer, tropece nas suas pedras, tropece nos órgãos que você arrancou de seus inimigos. Vem, vem pra mim. To te esperando aqui, sem armas, só com meus punhos prontos pra arrebentar a sua cara.
 Um ódio ou dois, quem se importa?


Saudade

domingo, 9 de julho de 2017

 A saudade que me atinge, que me faz chorar, que me faz pensar em você todas as noites.
 A saudade que ultrapassa as religiões, que me faz ser cristão só pra rezar por você.
 A saudade de uns anos, de quando eu era criança e você cuidava de mim. A saudade da sua casa, do seu abraço, do seu cheiro e dos seus bolos que eu ganhava todos os anos.
 E pensar que naquela época não havia preocupação, eu era uma crianção que pensava no quanto você me deixar.
 A saudade que me faz querer o mundo por você, que me faz pensar e que te deseja uma felicidade no outro, se houver um outro lado.
 Todo mundo falando de você, mostrando suas fotos, e eu apenas lembrando no quanto você fez me sentir vivo. Me lembro de uma carta que você escreveu com a sua caligrafia simples.
 Me lembro de você nitidamente, do seu imenso sorriso, do jeito duro que você levava a vida, mas de uma maneira feliz que se mantinha altiva.
 Minha saudade bate no peito, rezo para todos os deuses e me esqueço do mundo. É uma saudade única de apenas você e mais ninguém.
 É a saudade de todos os seus detalhes.


No hotel

quinta-feira, 15 de setembro de 2016


Há algumas verdades que não devem ser ditas. Há certas coisas que devem ficar no silêncio.
Um quarto de hotel vazio com nossas almas.
Eu menti pra você naquele dia. Eu estava com outro. Eu sempre estive com outro.
Eu menti muito para nós dois. Eu menti tanto.
Eu tinha medo.
Tinha coisas que nos satisfaziam, tinha tanta coisa que eu gostava em você. Eu não queria te perder.
Se você quer saber o que eu quis, não devia perguntar. Você me conhece.
O tempo passa e eu pensei demais, eu menti demais… Eu menti.
Isso me dói, mas não me arrependo.

Eu não queria ter que seguir sozinha.


Alma

terça-feira, 30 de agosto de 2016

 Me dê! Me dê esse néctar doce. Me dê essa alma destruída. Me consuma com seu capitalismo exacerbado. Me destrua por dentro.
Ao menos um copo desse, com as pedras de gelo no meio. Para que eu não possa sofrer com esse veneno descendo pela garganta.
Me dê um copo desse meio amargo mesmo, ele vai me consumir de fora e me tontear por dentro. Me dê um pedaço desse doce impregnado com a sua alma.
Por favor, me dê um pouco do seu veneno. Esse mesmo que escorre dos seus lábios e avança na alma. Esse copo que você segura, esse pedaço de mau caminho que está na sua boca.
Me dê, ao menos um pouco disso que você bebe. Me dê essa sua angústia, me dê essa tua tristeza.
Esse copo que tem um pedaço de calma com duas pedras de gelo.
Duas pedras de coração.
Me mostre esse teu caos.

Me dê a sua mão, essa que segura esse teu copo. Me dê um pouco do seu corpo.