Me dê! Me dê esse
néctar doce. Me dê essa alma destruída. Me consuma com seu
capitalismo exacerbado. Me destrua por dentro.
Ao menos um copo
desse, com as pedras de gelo no meio. Para que eu não possa sofrer
com esse veneno descendo pela garganta.
Me dê um copo
desse meio amargo mesmo, ele vai me consumir de fora e me tontear por
dentro. Me dê um pedaço desse doce impregnado com a sua alma.
Por favor, me dê
um pouco do seu veneno. Esse mesmo que escorre dos seus lábios e
avança na alma. Esse copo que você segura, esse pedaço de mau
caminho que está na sua boca.
Me dê, ao menos um
pouco disso que você bebe. Me dê essa sua angústia, me dê essa
tua tristeza.
Esse copo que tem
um pedaço de calma com duas pedras de gelo.
Duas pedras de
coração.
Me mostre esse teu
caos.
Me dê a sua mão,
essa que segura esse teu copo. Me dê um pouco do seu corpo.


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