Existia
um mundo. O meu mundo. E ele já está em decadência. A luz já
estava apagada nele, a escuridão dominava com todos os seus males.
Um
cálice de sangue que transbordava na alma dos imortais, falando do
quanto eram poderosos. Havia corrupção para todos os lados. Ninguém
mais ouvia gritos.
E
mesmo eu pedindo, o cálice chegava todos os dias mais perto de meus
lábios.
A
cerejeira estava morta.
Por
mais que eu inventasse os meus pecados, por mais que eu gritasse por
socorro, as portas estavam todas fechadas.
O
silêncio era destruidor. Ele me matava por dentro.
“Talvez
o mundo não seja pequeno. Nem seja a vida um fato consumado. Quero
inventar o meu próprio pecado. Quero morrer do meu próprio veneno.
Quero perder de vez tua cabeça. Minha cabeça perder o teu juízo.
Quero cheirar fumaça de óleo diesel. Me embriagar até que alguém
me esqueça.” — Chico Buarque.

