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Agressões

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

 Eu caí do meu mundo, caí com força. Senti meus calcanhares batendo em agulhas, que perfuraram a minha pele.
 Ficou tudo gelado demais para meu corpo que tremia, tremia com a sua ausência.
 O seu beijo que me fascinava, teu corpo que havia me viciado, seu sorriso que havia marcado a minha mente. Fiquei indefeso com aquilo tudo.
 Em meio a queda, soltei alguns sorrisos, lembrei de você e suas maluquices: no meio da noite, você querendo ir pra alguma balada, distante de todos. Beber um pouco.
 Seu carro estava girando no ar quando houve o acidente. E eu caí dele. Fui parar do outro lado da rua.
 Nós batemos um no outro. Seu soco me atingiu com força, bem no rosto.
 E partimos sem dar explicação.


Cálice!

quinta-feira, 15 de setembro de 2016


Existia um mundo. O meu mundo. E ele já está em decadência. A luz já estava apagada nele, a escuridão dominava com todos os seus males.
Um cálice de sangue que transbordava na alma dos imortais, falando do quanto eram poderosos. Havia corrupção para todos os lados. Ninguém mais ouvia gritos.
E mesmo eu pedindo, o cálice chegava todos os dias mais perto de meus lábios.
A cerejeira estava morta.
Por mais que eu inventasse os meus pecados, por mais que eu gritasse por socorro, as portas estavam todas fechadas.
O silêncio era destruidor. Ele me matava por dentro.


Talvez o mundo não seja pequeno. Nem seja a vida um fato consumado. Quero inventar o meu próprio pecado. Quero morrer do meu próprio veneno. Quero perder de vez tua cabeça. Minha cabeça perder o teu juízo. Quero cheirar fumaça de óleo diesel. Me embriagar até que alguém me esqueça.” — Chico Buarque.