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Dois goles

terça-feira, 14 de junho de 2016

 Eu tinha tudo o que sempre quis. Eu tinha amor, 

amigos e uma garrafa de vodca.
Eu tinha uma verdade, eu era dono da razão. Eu rabiscava o meu corpo e alimentava a minha alma com poesias.
 Eu podia ter o que eu quisesse, bastava um olhar e eu conseguia. O tempo parece uma bebida forte demais, subiu depressa.
 A minha respiração era boa, eu aguentava qualquer coisa. Eu via tudo se destruindo e me mantinha em pé. 
 Eu era meu anjo, eu era meu demônio.
 Parece que a poesia foi se apagando conforme o corpo 
foi se lavando e alma morreu de fome.
 Não sei mais quem sou. Eu me perdi nesse tempo todo.

 Eu bebi demais e os anos passaram muito rápido.





Sussurro

terça-feira, 17 de junho de 2014

Um dia qualquer, uma manchá de café derramado numa camisa. Algumas das nossas memórias nunca se vão embora... Eu sei, todos decidimos coisas ruins e a pior que eu pude escolher foi não querer continuar.
 Você me chamou de "lindo", eu acreditei nas suas palavras. Minhas mãos encostavam nas suas, eram um encaixe perfeito. De vez em quando eu penso no nosso futuro.
 E numa outra noite, eu sussurrei seu nome para outro nome. Ele ignorou, virou de lado e dormiu. Está ficando difícil, mas sei que vou esquecer. Você levou a minha paz, foi um caminho a ser escolhido, eu sei. Todos temos que esperar nas nossas estradas o caminho certo aparecer.
 E eu nunca esperaria me tornar mais um dos seus, mais uma canção qualquer, mais um esquecido. Cadê a saudade que você disse que sentia? 
 E de vez em quando eu penso em rastejar até você, mas desisto. Desisto de ter você, desisto de permanecer assim... Com essa música triste me torturando em cada momento.
 Dói tanto...





Fuga nº1

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Todas aquelas vontades, todos aqueles desejos. A última lágrima que escorre é também a primeira que se derrama. De um caos perturbado, sim, dessa vez tão distante.
 Observo a esquina toda cada, cada vez que ouço o barulho dos carros, observo a sua distância fugir de mim. Mas você prometeu... Você fugiu e em cada gota que cai dentro da minha garganta é uma tristeza, uma lembrança, um tudo de mim que se escorre e vai, vai pra longe. Só se vai... Junto a promessas, junto ao mundo. Todos nós já fomos.
 Nossas vontades são semelhantes, te entendo quase que perfeitamente, te compreendo e olha, faz tempo que isso não acontece. O nosso mundo foge, o nosso olhar transparece qualquer sentimento ilegal, qualquer coisa que se vá.
 E o trem... Aquele trem que passou, aquele nosso mundo que viaja junto, aquela nossa vontade de ir, de rir, de sair, de fugir. Fugir pra outra cidade. 
 E foi assim que tudo começou, é desse jeito que tá acabando. Fugindo. Fugindo um do outro, fugindo das promessas.



Ansiedade

terça-feira, 30 de outubro de 2012


Bate no peito aquela saudade, aquela vontade...
 Precisa apenas de uma parte da tua respiração, precisa apenas de você ao meu lado.
 A ansiedade que em mim fica é tão grande e tão dolorosa que você nem percebe.
 Não é aquela ansiedade passageira, é uma verdadeira. Ela é real, tão real como você.
 Se eu pudesse ficar somente ao teu lado nem que fosse por apenas um dia. Se eu pudesse sentir o que você sente, sentir a tua boca junto a minha, a tua preocupação batendo no peito e o teu abraço quentinho... Fazendo questão de me apertar só pra me esquentar.
 Se eu pudesse sentir o teu beijo, fica sempre aquela vontade... A vontade que é provocada pela ansiedade.
 E nesse frio de inverno e nesse tempo que me deixa triste...
 Tua distância, se eu sentisse, poderia mudar, mas não vou.
 Será que você sente a mesma ansiedade?
 Perto da noite, longe de mim e meus pensamentos vagam para o teu encontro.
 Nossa história não mudou... Por onde você estará andando? Por que não te tenho tão perto?
 E tanto eu tenho pra dizer, se eu só pudesse te olhar.
 Queria tanto você ao meu lado em uma cama quente, em nossa cama...
 Quero poder te chamar apenas de meu, quero te beijar o ano inteiro...
 Quero só você.


Agonia

terça-feira, 9 de outubro de 2012


É mais um daqueles estranhos momentos em que você sente como se tivesse perdido tudo, mas logo se lembra que o nada e o vazio existencial eram o seu “tudo”.
 Não é nada realmente nada normal perder nada. Não se há nada para perder...
 Mas é dentro do nada que encontramos todos os sentimentos, é nesse vazio que realmente existe que encontramos nossos verdadeiros valores. Mas que valores?
 Sair de casa no meio da madrugada apenas para pensar, olhar e observar toda a escuridão ao redor... Escuridão maldita.
 É dentro da escuridão que podemos ver quem somos mesmo. Quem sou?
 Às vezes me sinto totalmente perdido dentro de mim... Perdido nesse nevoeiro totalmente oculto... Um nevoeiro na escuridão.
 Apenas queria sobreviver a algo que nem vá existir, queria apenas sobreviver dentro de mim...
 Pois é... Sou um forasteiro dentro de mim, nem me conheço.
 Perdi os sentimentos de alguém verdadeiro, estraguei o mundo ao meu redor...
 Sou um forasteiro perdido nesse labirinto de sentimentos... Perdido e arrependido.
 Pergunto-me sempre “por onde eu estou andando?” Mas no fim a resposta é sempre a mesma: “não sei...”
 Nessa noite fria estamos um distante do outro... Perdi-me dentro de mim e essa maldita história nunca tem fim...
 A história em que ambos se machucam até a morte... Machucam-se sem misericórdia e sem arrependimento...
 Minha morte será a tua salvação...
 Logo eu daria meu futuro para você sobreviver?
 Daria minha vida para que a sua continuasse?


Pensamentos e anseios

terça-feira, 18 de setembro de 2012


 Enquanto o mundo cai, a noite acontece.
 O tempo voa em uma velocidade surpreendente e o universo se desfaz.
 Enquanto Deus está almoçando em seu paraíso, os humanos estão rezando por alguma coisa.
 O dinheiro cai do céu e as pessoas se matam, a chuva já não molha e todos se conformam.
 Não há água e a ilusão é apenas verdadeira o suficiente para não se pensar nela.
 As lágrimas destroem o rosto de uma criança, a fome já não é ignorada.
 Lúcifer vem para o mundo, mas já não precisa fazer nada. Tudo se reconstrói em pequenos espelhos e as imagens se tornam distorcidas.
 É o nosso sangue que está regando as flores do cemitério e ninguém mais se preocupa com a alegria.
 A paz não é encontrada porque a dor deixou de existir, o mundo se torna paralelo e essa dimensão é apenas existente.
 Todos estão correndo atrás de seus sonhos, mas na verdade eles nem existem. Não existe mais beleza nas coisas lindas, não existe mais verdade para a falsidade.
 Não existem mais humanos.


Conversas paralelas

sábado, 25 de agosto de 2012


Os dois estavam sentados em um trilho de trem. Ela, uma garota normal. Ele, um garoto qualquer.
- Eu queria ter uma bicicleta. – Disse a garota, que se chamava Marrie.
- Por que ter algo tão simples se pode ter o mundo? – Disse o garoto, que se chamava Argus.
- Porque uma bicicleta me levaria até você...
- Não há motivos para vir até mim.
- Vem morar comigo?
- Aonde?
- Aqui no meu coração. – E então ele levantou. Saiu. Sem rumo, andou por vários dias. Chorando, sem nem ao menos tentar entender.
- Tão fanático pelo amor que se esqueceu que ainda tinha alguém que lembrava dele...  – Dizia Marrie, observando as flores.
- Tão amorosa que se esqueceu que eu só queria ela... – Ele respondia em pensamentos altos, respondia para o ar.


Solidão

terça-feira, 7 de agosto de 2012


Devastado em algum lugar, caído, morto, vivendo sem rumo e aguardando o momento certo para ser levado pela morte.
O que me resta esperar?
 Em um deserto qualquer me perco em pensamentos, anseio pela morte, procuro em algum momento alguém para me ajudar. Estou sozinho. Cadê os meus amigos?
 Percebi hoje que no dia de minha morte não havia ninguém para chorar, não havia ninguém para me salvar.
 A morte demora a me buscar, ela quer ver meu sofrimento. Cadê minha família? Alguém morreria para me salvar? Alguém ao menos se importaria com o jeito que morri?
 Relembro de cada lembrança, reparo nos pequenos detalhes desse flashback que estou tendo.
 Sinto meu corpo formigando, adormecendo, acho que a morte finalmente chegou. Parece que tem alguém me puxando, para onde meu espírito vai? Fecho os olhos e adormeço, não quero ver o rosto dela...
 Acordo em um lugar todo branco... Espere! Alguém me salvou?
 Fico feliz pela morte não ter me abandonado, fico triste por ter morrido sozinho...


O maníaco

quinta-feira, 3 de maio de 2012


Um maníaco como outro qualquer. Desejava ser amado como todos desejariam. Perseguia os pensamentos, via as conversas, se olhava no espelho. Era um estranho. Era imperfeito. Ele podia andar nas sombras, observar os pensamentos, ele podia ser feliz, mas não conseguia. Era um maníaco por natureza, desde que nasceu necessitava de amor. O mundo era totalmente escuro, sem ruas para andar e sem verdades para se acreditar. As pessoas matavam por prazer, as pessoas não tinham coração. Era um maníaco como todos os outros. Ele podia ser você, ele podia ser eu, ele podia ser nós, mas ele preferia ser apenas ele. Não mudava sua personalidade. Ele era um maníaco... Mais um, apenas mais um, que desejava ser amado.
Ele morreu com um livro nas mãos. Um livro de amor.


Os pensamentos de um bêbado

quinta-feira, 26 de abril de 2012


O mundo voa num universo tão adverso enquanto todo mundo tudo gira. O mundo enlouquece enquanto tudo isso está apenas vagando. O gato está feliz, o gato preto está perseguindo a minha mente. Tudo foge dos meus controles, eu sou perseguido por todo esse universo. Tudo misturado numa estranha ilusão em que eu te conheci, eu sei que tudo é real nesse mundo em que criamos. Eu sei que tudo mostra a realidade e demonstra os sentimentos verdadeiros.
 Os pássaros estão voando num tom alegre e divertido, tudo está mudando por todos os lados, o mundo está girando para as pessoas que não querem. Eu te vi morto, caído, na grama, te deixei lá com todos os seus amigos e fugi pra debaixo do meu universo. Eu morri por alguns segundos e não te vi no meu eterno paraíso. Te esqueci pra sempre.




Pesadelos de um qualquer

segunda-feira, 23 de abril de 2012


Realidade falsa, agregada em sentimentos imaturos. Parado na esquina, observando os lobos. Lobos vestidos de ovelhas, seres humanos tão falsos que nem dá pra ver quem são. A minha alma perdida em todos os mundos, nem me lembro mais em qual foi. Conversas alheias, olhares astutos, tudo voltando e se tornando um caos profundo. Observe, acene, sorria, sejam falsos como eles são com você. Reações alérgicas, mundo corrompido. Observe, vejam, eles são tão lindos né? E o mundo que ta girando, quem se importa com ele? O mundo será destruído e nós vamos morrer só isso. Ta vendo aquelas crianças chorando de fome? Ignore-as, são apenas crianças. Deus não quis ajudá-las, então por que fazer isso? Malditos seres capitalistas consumistas.
E ta sentindo aquela angústia corriqueira? Ainda não, oras, vamos, sinta-a. Mergulhe nesse mar profundo de pecados, sinta a verdade. O que é certo? O que é errado? Não existe mundo e o universo é apenas mais uma piada contada. Inteligência pra quê se seus músculos te darão o futuro que quer ter? Corra, ouça, sinta o calor.
E se no fundo somos todos iguais? Pra quê dinheiro? Um pedaço de papel que enche as barrigas, um pedaço de papel que nos entrega a felicidade. Um maldito pedaço de papel.
Não pense, não fale, compra e beba. Seja controlado por todo esse sistema maldito, por todos esses lobos vestidos de ovelhas. Seja controlado por todo esse mundo e não perceba. Não estude, ouça, faça. É assim que eles querem. Corra para as colinas! Fuja para outro mundo enquanto ainda tem tempo. Vai, vai, você pode e você sabe disso. Se liberte dessas algemas feitas de papel, se liberte desse universo que te colocaram.