Antônio

sábado, 9 de setembro de 2017

Eu lembro do sol que raiava naquele dia. Lembro dos sinos da igreja. Lembro que eu sorri para outra pessoa.
 Mas eu esqueci de você.
 Eu lembro do meu café esfriando, eu lembro do chá que derrubei no chão, também lembro do cachorro latindo para o meu vizinho.
 Eu lembro de todos os detalhes, mas você não estava neles.
 Eu lembro do dia em que torci a perna, lembro do dia que tirei nota ruim e minha mãe brigou, lembro de quando bebi até vomitar todo o vinho pra fora.
 Eu lembro de muita coisa, mas você não estava lá.
 Eu lembro da minha mãe chorando, eu lembro de quando tentei me matar, eu lembro quando li meu primeiro livro.
 Você não me parabenizou.
 Eu lembro do meu gato que morreu - e eu sofri com isso -, eu lembro de quando minha cachorra faleceu, eu lembro dos meus amigos do passado. Eu lembro da reunião de pais na escola, mas você não estava nela.
 Eu lembro que parei de comemorar meus aniversário, eu lembro que cuidei de um morcego - e acabou que ele ficou em casa -, eu lembro que insisti demais em ir com minha mãe pra assistir Harry Potter, mas você não foi junto.
 Eu não lembro de você na minha vida.
 Você não foi um pai, você foi uma lembrança que nunca existiu.



Cinzas

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

 Eu a vi correndo para outro mundo, eu a vi surfando por entre os mares que nos separaram. A menina mais linda e doce que eu já pude ver.
 Seus olhos emanavam a cor mais bela do mundo, tão verdes e tão castanhos, seus louros cabelos mostravam o sofrimento que vinha dela.
 Sua voz suave que vinha de mim, sua voz que acalmava a minha alma.
 O seu grito de fuga! A sua felicidade intranscedente, a sua paz, a sua essência.
 O SEU LONGE DE MIM, MENINA! Não me abandone mais. Esteja comigo. Não nos destrua.
 Todos os dias eu sinto a sua falta.



Dia dos Pais

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Lembro que eu tinha que tirar uma foto com a camisa do meu pai. 
 Usei a da minha mãe. 
Lembro que eu tinha que fazer um poema com bombons para demonstrar meu carinho para o meu pai.
 Minha mãe adorou os bombons.
Lembro que eu tinha que dar um presente pra ele e tinha escolhido um par de brincos.
 Minha mãe usou.
Lembro que eu tinha de chamar ele pra festa da escola.
 Minha mãe foi.
Lembro que eu fiquei internado, com pneumonia. 
 Minha mãe me levou.
Lembro que eu fiz uma cirurgia e que tive muitas alucinações...
 Todas eram com a minha mãe.
Lembro que você tentou voltar a falar comigo, fui no aniversário da minha avó, conheci a minha "família". Sim, com aspas, porque só carrego o sangue deles. Lembro que te vi lá, mas não era a hora de conversar. Nunca foi. Nunca tivemos a nossa hora. 
 E então, sobre o dia dos pais: obrigado, mãe, por tudo.


Agressões

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

 Eu caí do meu mundo, caí com força. Senti meus calcanhares batendo em agulhas, que perfuraram a minha pele.
 Ficou tudo gelado demais para meu corpo que tremia, tremia com a sua ausência.
 O seu beijo que me fascinava, teu corpo que havia me viciado, seu sorriso que havia marcado a minha mente. Fiquei indefeso com aquilo tudo.
 Em meio a queda, soltei alguns sorrisos, lembrei de você e suas maluquices: no meio da noite, você querendo ir pra alguma balada, distante de todos. Beber um pouco.
 Seu carro estava girando no ar quando houve o acidente. E eu caí dele. Fui parar do outro lado da rua.
 Nós batemos um no outro. Seu soco me atingiu com força, bem no rosto.
 E partimos sem dar explicação.


Distância

domingo, 20 de agosto de 2017

Palavras contidas em pequenas doses de saudades. Mergulhadas em um mar de verdades aleatórias misturadas com tristezas por não te ter ao meu lado.
 Um mundo grande e censurado com o qual não tenho opção de liberdade.
 Não posso dar ao mundo a minha verdade, nem mesmo demonstrar a minha saudade por você. E eu que pensava que o mundo era feliz, mas nada me mostrou que a felicidade é ao seu lado.
 Penso que, na verdade, tudo isso seja uma pura ilusão e que acordaremos para ver como tá tudo errado.
 Queria poder te beijar, mas você está tão distante de eu.
 A verdade e a vertente da realidade estão sobrepondo um mundo no qual dormimos... E porque nem mesmo nossos sentimentos são reais, é tudo psicológico.
E o meu psicológico diz o quanto eu te amo.


Mentiras

domingo, 13 de agosto de 2017

Eu acreditei tanto nas suas palavras, acreditei tanto nas suas fases. Eu acreditei tanto em você.
 Acontece que você me enganou por todos os anos em que estivemos juntos, você dizia me amar, mas negava o que acontecia entre a gente.
 Eu mudei tanto de mim, amadureci tanto e estou tão diferente do que jamais estive.
 Não sei se você me perdeu ou fui eu quem te perdi, nossos fantasmas ficam unidos nessas noites escuras.
 Me disseram por aí que você me amaria a todo custo, mas quanto custou tudo isso que aconteceu?
 Eu tenho tantas dúvidas que calam as minhas noites, tantas questões que me tiram o sono.
 A dor de ter tudo o que eu pude ter e agora não tenho mais.
 Por que não dei valor suficiente pra isso?
 O que aconteceu entre nós?


Depois

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

 Mais uma vez...? Não foi tão mau assim! Não sou tão mau assim, né gatinho?
 Mais um gatilho, mais uma bala atravessando... E os vidros cortam o meu peite que já não vão te confortar, não vão...
 Não assim! Não sem mim, eu não sou tão ruim. Agora vai ser mais legal..
 Aguarde a sua senha, baby, espera só pra ver quem é que manda. O caos já era, gatinho, tá generalizado demais, tá arrumado, tá bagunçado, tá organizado, tá o meu caos. Do meu jeito, do me modo. E depois? Você vem ou não? É, é assim né. Minha casa, nossa casa, destruída, acabada. Cheia de bebidas no chão, vômitos por toda parte... Aquela festa foi tão legal, não achou?
 "E depois? Tchurutchu... Todo plano acaba assim. Nós dois. Tchurutchu. Nos machucando até o fim..."
 Eu te vi através do fim, corri atrás, tentei te resgatar, mas já vale mais a pena.
 E então, agora é do meu jeito, seguindo as minhas regrinhas, anjinho. Da minha forma e dançar conforma eu quero, mas tu não sabe dançar né? APRENDE.
 E depois? Tchurutchu... A música vai vagar nos meus pensamentos, vou beber umas cinco doses e começar a noite e vou lá! Vou lá correr perigosamente através do espelho, através de mim.
 Já me acostumei com você longe de mim, que pena...
 Antes era bom estar contigo sempre... ERA BOM.


Ódio em duas gotas

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Fechando os olhos, reviro a cabeça. Meu mundo já amanhece bagunçado e tudo o que eu mais quero é voltar pra cama. Há algo de errado. Num mundo tão caótico tudo o que eu consigo imaginar é a morte daqueles que me desejam o mesmo... Só consigo expressar a raiva e as emoções que me atingem de uma forma tão distante.
 Se eu chorar, talvez eu até consiga te ver tão contente. Um pão com café pra tornar a noite, mas quem sabe eu nem queira isso tudo. Quem sabe eu só quero destruir o teu império?
 Vem pra mim, vem pra mim... Vem! Corre, corre ao meu chamado, venha. Rápido. Sem querer, tropece nas suas pedras, tropece nos órgãos que você arrancou de seus inimigos. Vem, vem pra mim. To te esperando aqui, sem armas, só com meus punhos prontos pra arrebentar a sua cara.
 Um ódio ou dois, quem se importa?


A minha bolsa

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Enquanto o tempo voa, passa rápido, eu vejo a luz do sol saindo e se transformando na imensidão da lua, na escuridão. Eu quero ver tudo o que é bom, não me importo se é real ou não. Aprendi a não viver mais aqui nesse mundo.
Preso dentro de mim, calado com as lembranças do passado, com um suor escorrendo na pele, os desejos intensos e o coração batendo forte. Uma aceleração contínua e forte. Eu aprendi a não demonstrar, mas isso não significava controlar.
 Com uma mochila verde-musgo cheia de rasgos e velha, com muita história pra descrever o mundo que eu vivi, com um óculos redondo e uma blusa preta, um tênis sujo e uma calça jeans, equipado com essa armadura dos deuses eu aprendi a viajar pelo mundo. Distante. Não me importa se o celular descarregou, se já não tem mais música pra ouvir, não me importo de ouvir as buzinas distantes, os pneus cantando por aí, as pessoas gritando, o barulho do ônibus... Não me importo de nada. Quero viver isso, quero conhecer esse mundo.
 Calma aí, coração. Já estamos juntos, não vamos acelerar esse tempo que já corre naturalmente rápido. Venha aqui, me dá um abraço, um beijo e olhe dentro dos meus olhos e veja quantos dias passaram.


O sétimo andar

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Eu só queria me jogar do sétimo andar
Sem desculpas pra poder falar
Sem caos pra poder pensar
Sem medo de voar.

Eu só queria um pouco de sal
Pra vida amargurar
Pra tudo isso parar
Pro meu pensamento fugir
Pra minha vontade rugir.

Nesse mundo, eu só queria poder cair
Sem nunca mais precisar levantar
De ser enterrado com meus medos
De ser esquecido do mundo todo.

Eu só queria estar no sétimo andar
Pra beber umas garrafas
E de lá me jogar
Com o risco de, bêbado, nem sentir nada

Um pouco de adoçante nessa minha vida
Um açúcar que não é verdadeiro
Uma chantagem a mais para mim
Enganar o cérebro que já pensou demais

Eu só queria poder me jogar
Meus problemas esquecer
Fugir e não ter mais pra onde andar
E as minhas lágrimas não ter mais a quem aquecer.


O último

sexta-feira, 21 de julho de 2017

 A dor inconsolável de um olhar caído. Um olhar pra baixo.
 Uma dor de terminar tudo, uma dor que alivia... Não vou negar, é melhor assim. É melhor quando tudo termina.
 Chegou o ponto em que tudo muda.
 As paixões são difíceis de serem controladas, é o que há, de fato a ser seguido. O roteiro é esse.
 O amor é apenas pra gente e pra mais ninguém.
 Esses teus olhos frios já não me encaram mais.
 Não é possível que tudo acabe dessa forma.
 Eu não vou negar, valeu a pena.
 Eu só não quero ser o último.



A balada

terça-feira, 18 de julho de 2017

 Felicidade abundante. Movimentos repetitivos e aquela música louca que me deixou feliz. 
 Um som que vibrou minha mente, que acelerou meu coração. Aquele copo frágil de plástico com uma bebida estranha que você sabia que eu gostava demais.
 Um grito de felicidade que emanou de minha boca e saiu pelo meu corpo. Meu sorriso tímido naquela balada.
 Uma dose de uma bebida forte, que dessa vez eu escolhi sem dó, porque eu precisava demais. Lembrei de você, mas infelizmente a música tava muito mais alta que a minha mente então eu só rebolei a noite toda. Eu gritei. Eu dancei. Eu fui feliz.
 Não sabia que podia ser feliz sem você, mas eu fui. E pretendo continuar sendo. Porque o meu sorriso vale mais do que o seu corpo.





Rota

quinta-feira, 13 de julho de 2017

O suor arranha no rosto. Observo tudo destruído ao meu redor. Eu já estava cansado demais para prosseguir nessa caminhada.
 Eu queria poder ser melhor pra você. Eu queria não precisar te cobrar algumas coisas.
 Eu já to cansado dessa caminhada.
 O meu pé já tá quase tropeçando e se entrelaçando nas minhas pernas.
 Eu quero continuar seguindo nessa rota, mas precisarei fazer isso sozinho. 
 Você já não consegue mais me acompanhar nessa eterna caminhada. Ambos estamos cansados. A quadra tá cheia hoje.
 Me alucino entre as milhares de pessoas ao redor, observo-as seguirem seus caminhos. 
 Estamos todos sem direção.




Durante a noite

Meus pés me levam pra qualquer lugar. Uma bebida quente, outros pensamentos vazios. Tão eu.
 E as coisas começam a melhorar e aí eu descubro mil e uma coisas sobre mim e não é nada bom começar dessa forma...
 E meus pés me levaram pra um bar e eu disse: não, não faça isso, é uma cilada. E eles me ouviram? Não. Simplesmente fomos.
 Dançamos, dançamos a noite toda. Dançamos mais um pouco e logo eu já tava com uma outra garota. Fiquei pensando em você enquanto beijava todo mundo que eu já beijei. Você anda invadindo meus pensamentos e olha... Não é nada fácil controlar.
 Dois copos e eu já estava muito bem, obrigado. E naquele dia eu chorei por mais mil e outros motivos, crueldade eu sei. Joguei tudo em cima de você, mas precisava descarregar esse peso em mim.
 Eu to dançando como nunca dance antes, dançando para a vida, gatinho. To dançando com os meus sapatos de verniz, com a minha alma apurada e com tudo o que eu pude. To começando a esquecer e isso me dói, me dói porque o sentimento tá parando de bater e o cérebro tá lá pra me lembrar o que eu já senti... 
 E mais um dia perdido, eu não devia ter ido naquele seu Onix, eu não devia ter deixado você me dar bebidas, eu não devia ter ficado com você.
 Eu não devia ter feito muita coisa que eu fiz, mas tá valendo a pena... Pouco a pouco tá valendo a pena. 
 E dessa vez meus copos estão cheios de café (sim, tô bebendo café). Ele tá me ajudando a superar algumas coisas...
 Talvez seja uma carta de adeus ou qualquer outra coisa que não valha a pena ler, ficou grande, não chegue até o final.
 Você vai se magoar comigo, anjo, e eu, infelizmente, sou muito apegado ao meu passado ainda... 




Hércules

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Profecias do caos, adoração aos deuses, vivenciando um mundo novo. Eis que então todos temem ao mundo dos mortais e ambicionam o mundo dos imortais. Seus medos são seus fracassos, jovens.
 A luz que devia iluminar os céus acaba por iluminando os corações, os jovens caídos nas perdições de seres amaldiçoados pelas próprias mãos de seu criador. A luz que devia iluminar as almas agora está fraca. Fraca demais para continuar.
 O som da música fica solta por aí, rondando o mundo em seu eterno silêncio dos imortais, causa a total desgraça daqueles que temem o seu verdadeiro medo. Enquanto tentamos ser os próprios Hércules de nossas naturezas, fracos e vulneráveis.
 Não há mais caos, agora há luz. Porque aonde há vida, aqui, jaz o túmulo da morte.