O sétimo andar

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Eu só queria me jogar do sétimo andar
Sem desculpas pra poder falar
Sem caos pra poder pensar
Sem medo de voar.

Eu só queria um pouco de sal
Pra vida amargurar
Pra tudo isso parar
Pro meu pensamento fugir
Pra minha vontade rugir.

Nesse mundo, eu só queria poder cair
Sem nunca mais precisar levantar
De ser enterrado com meus medos
De ser esquecido do mundo todo.

Eu só queria estar no sétimo andar
Pra beber umas garrafas
E de lá me jogar
Com o risco de, bêbado, nem sentir nada

Um pouco de adoçante nessa minha vida
Um açúcar que não é verdadeiro
Uma chantagem a mais para mim
Enganar o cérebro que já pensou demais

Eu só queria poder me jogar
Meus problemas esquecer
Fugir e não ter mais pra onde andar
E as minhas lágrimas não ter mais a quem aquecer.


O último

sexta-feira, 21 de julho de 2017

 A dor inconsolável de um olhar caído. Um olhar pra baixo.
 Uma dor de terminar tudo, uma dor que alivia... Não vou negar, é melhor assim. É melhor quando tudo termina.
 Chegou o ponto em que tudo muda.
 As paixões são difíceis de serem controladas, é o que há, de fato a ser seguido. O roteiro é esse.
 O amor é apenas pra gente e pra mais ninguém.
 Esses teus olhos frios já não me encaram mais.
 Não é possível que tudo acabe dessa forma.
 Eu não vou negar, valeu a pena.
 Eu só não quero ser o último.



A balada

terça-feira, 18 de julho de 2017

 Felicidade abundante. Movimentos repetitivos e aquela música louca que me deixou feliz. 
 Um som que vibrou minha mente, que acelerou meu coração. Aquele copo frágil de plástico com uma bebida estranha que você sabia que eu gostava demais.
 Um grito de felicidade que emanou de minha boca e saiu pelo meu corpo. Meu sorriso tímido naquela balada.
 Uma dose de uma bebida forte, que dessa vez eu escolhi sem dó, porque eu precisava demais. Lembrei de você, mas infelizmente a música tava muito mais alta que a minha mente então eu só rebolei a noite toda. Eu gritei. Eu dancei. Eu fui feliz.
 Não sabia que podia ser feliz sem você, mas eu fui. E pretendo continuar sendo. Porque o meu sorriso vale mais do que o seu corpo.





Rota

quinta-feira, 13 de julho de 2017

O suor arranha no rosto. Observo tudo destruído ao meu redor. Eu já estava cansado demais para prosseguir nessa caminhada.
 Eu queria poder ser melhor pra você. Eu queria não precisar te cobrar algumas coisas.
 Eu já to cansado dessa caminhada.
 O meu pé já tá quase tropeçando e se entrelaçando nas minhas pernas.
 Eu quero continuar seguindo nessa rota, mas precisarei fazer isso sozinho. 
 Você já não consegue mais me acompanhar nessa eterna caminhada. Ambos estamos cansados. A quadra tá cheia hoje.
 Me alucino entre as milhares de pessoas ao redor, observo-as seguirem seus caminhos. 
 Estamos todos sem direção.




Durante a noite

Meus pés me levam pra qualquer lugar. Uma bebida quente, outros pensamentos vazios. Tão eu.
 E as coisas começam a melhorar e aí eu descubro mil e uma coisas sobre mim e não é nada bom começar dessa forma...
 E meus pés me levaram pra um bar e eu disse: não, não faça isso, é uma cilada. E eles me ouviram? Não. Simplesmente fomos.
 Dançamos, dançamos a noite toda. Dançamos mais um pouco e logo eu já tava com uma outra garota. Fiquei pensando em você enquanto beijava todo mundo que eu já beijei. Você anda invadindo meus pensamentos e olha... Não é nada fácil controlar.
 Dois copos e eu já estava muito bem, obrigado. E naquele dia eu chorei por mais mil e outros motivos, crueldade eu sei. Joguei tudo em cima de você, mas precisava descarregar esse peso em mim.
 Eu to dançando como nunca dance antes, dançando para a vida, gatinho. To dançando com os meus sapatos de verniz, com a minha alma apurada e com tudo o que eu pude. To começando a esquecer e isso me dói, me dói porque o sentimento tá parando de bater e o cérebro tá lá pra me lembrar o que eu já senti... 
 E mais um dia perdido, eu não devia ter ido naquele seu Onix, eu não devia ter deixado você me dar bebidas, eu não devia ter ficado com você.
 Eu não devia ter feito muita coisa que eu fiz, mas tá valendo a pena... Pouco a pouco tá valendo a pena. 
 E dessa vez meus copos estão cheios de café (sim, tô bebendo café). Ele tá me ajudando a superar algumas coisas...
 Talvez seja uma carta de adeus ou qualquer outra coisa que não valha a pena ler, ficou grande, não chegue até o final.
 Você vai se magoar comigo, anjo, e eu, infelizmente, sou muito apegado ao meu passado ainda... 




Hércules

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Profecias do caos, adoração aos deuses, vivenciando um mundo novo. Eis que então todos temem ao mundo dos mortais e ambicionam o mundo dos imortais. Seus medos são seus fracassos, jovens.
 A luz que devia iluminar os céus acaba por iluminando os corações, os jovens caídos nas perdições de seres amaldiçoados pelas próprias mãos de seu criador. A luz que devia iluminar as almas agora está fraca. Fraca demais para continuar.
 O som da música fica solta por aí, rondando o mundo em seu eterno silêncio dos imortais, causa a total desgraça daqueles que temem o seu verdadeiro medo. Enquanto tentamos ser os próprios Hércules de nossas naturezas, fracos e vulneráveis.
 Não há mais caos, agora há luz. Porque aonde há vida, aqui, jaz o túmulo da morte.



Saudade

domingo, 9 de julho de 2017

 A saudade que me atinge, que me faz chorar, que me faz pensar em você todas as noites.
 A saudade que ultrapassa as religiões, que me faz ser cristão só pra rezar por você.
 A saudade de uns anos, de quando eu era criança e você cuidava de mim. A saudade da sua casa, do seu abraço, do seu cheiro e dos seus bolos que eu ganhava todos os anos.
 E pensar que naquela época não havia preocupação, eu era uma crianção que pensava no quanto você me deixar.
 A saudade que me faz querer o mundo por você, que me faz pensar e que te deseja uma felicidade no outro, se houver um outro lado.
 Todo mundo falando de você, mostrando suas fotos, e eu apenas lembrando no quanto você fez me sentir vivo. Me lembro de uma carta que você escreveu com a sua caligrafia simples.
 Me lembro de você nitidamente, do seu imenso sorriso, do jeito duro que você levava a vida, mas de uma maneira feliz que se mantinha altiva.
 Minha saudade bate no peito, rezo para todos os deuses e me esqueço do mundo. É uma saudade única de apenas você e mais ninguém.
 É a saudade de todos os seus detalhes.


Suicídio

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Eu não quero ouvir. Eu não quero falar.
 Quero apenas me jogar dessa sacada.
 A vida já me bateu demais, a vida já me causou problemas demais. A minha vida já está ruim e a morte será meu único alívio.
 Eu já não quero mais aquele café. Eu já não quero mais nada.
 Quero apenas olhar para baixo e sentir o vento esvoaçando no meu cabelo.
 Ninguém mais se importa. Ninguém mais ouve. Ninguém mais me convence.
 "Somos programados pra cair".
 A minha vida já fez demais, ela tá cansada. Assim como eu. Me dói saber que já deu.


Tempo Perdido

Todos os dias é a mesma ressaca moral. Você é meu primeiro pensamento da manhã e o último da noite.
 Eu já perdi o nosso tempo.
 As suas lágrimas eram sagradas e tão belas do que qualquer outra coisa, lágrimas selvagens que fugiram desse triste olhar.
 Veja o sol que ilumina essa manhã acinzentada, uma tempestade da cor de seus olhos castanhos.
 Me abraça. Me abrace o mais forte possível. E me diga que vamos fugir disso tudo, que vamos nos distanciar.
 Me abraça e me faça chorar com essas músicas que te fazem lembrar de mim.
 O nosso tempo já está perdido?
 Ainda somos tão jovens, mas tão velhos. Ainda podemos ser algo.
 Ainda podemos ter algo?


Te esqueci

Quando, enfim, se encontra em um instinto, em uma vontade, um desejo incontrolável.
 Amordaço em pedaços. Uma maravilha, uma eternidade. Mostrada em fragmentos de lealdade, falsidade. Oculto nas sombras, destruído pela própria moralidade.
 Um beijo ou dois. O que aconteceu naquela noite? Aquelas verdades que você dizia enquanto bebia mais uma taça de vinho, mostrando a sua suavidade. O que aconteceu de verdade? Aquelas marcas de anseio, de vontade de devorar. Aquela criatura que surgiu de dentro da água, aquela desgraça trazida entre dois copos (ou mais) de cachaça barata.
 Estamos mortos e só você não notou.
 Eu não me importo e pela sua voz eu jamais vou implorar novamente. Pelos seus olhos esquecidos nas margens de meus pensamentos eu jamais vou te amar de novo.
 Desculpa se te esqueci. Foi sem querer. Até porque eu prefiro açúcar no meu café do que adoçante.


Perfume do Invisível

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Acordei com o seu perfume do meu lado. Sua inebriante voz batendo na minha cabeça a calma que eu devia ter.

 "Foi só um sonho", você me disse.
 Vesti o seu corpo no meu, num eterno abraço. Nossas mentes juntas, unidas ao acaso do destino. 
 E então, me despi de seu corpo. O seu perfume continuou em mim, senti a sua calma. A nossa calma.
 Meu pesadelo cessou e eu pude dormir em paz.
 O que tava em mim quietinho foi se movendo ao seu lado, como em um doce balanço.
 Me enrolei no cobertor, te procurando. E por mais que o cigarro aceso mostrasse a presença de alguém no local, eu não te achei.
 Seu perfume permanecia no meu corpo, o seu corpo permanecia ilustrado em mim como tatuagens direto na pele.
 Por mais longe que você estivesse e por mais distante que fosse, o cheiro do seu café permanecia na minha casa. O seu cigarro, agora já apagado, mostrava o quanto eu já tava viciado em você. 
 Eu sinto a sua falta todos os dias. A todo instante sinto o seu perfume invisível colado em mim.


Desejo e vontade

Meu olho tá pesado e a minha respiração tá fraca. Tenho vontade de vomitar.

 Minha cabeça gira em torno de todas aquelas memórias e meu estômago se revira a cada vez que penso em você.
 O sexo era bom, mas só isso. Só a gozada já me fazia feliz e nada mais.
 A saudade que sinto de você é, na verdade, apenas do prazer carnal. Já deu né? Vamos ser realistas, nada disso deu certo.
 Já to cansado desse sangue escorrendo dentro do meu vazio, já to passando mal. Perdi muito. Perdi tudo. Perdi você.
 E por mais que eu ainda queira sentir o seu corpo junto ao meu, tudo isso em tudo aquilo, por mais que eu deseje, a minha moral me impede.
 Eu ainda sou ético.
 E eu ainda te odeio.


Há paz?

A paz, a calma, a paciência.
 Há paz? Há calma? Há paciência?
 Eu quero a verdade da ilusão, quero a paz da alegria. O desejo do mundo rodopiando, a simplicidade vista num dia quente de verão ou num nublado dia de inverno, quero apenas ver os pássaros voando, as nuvens cobrindo minha cabeça, seus tons de cinza e seus tons de branco. Com o céu bem apagado ou bem azulado. Ou só sem nada. Apenas um véu vasto e cheio de diferenças e cores. Qualquer cor, tanto faz, só a paz de saber que há um céu para eu olhar.
 Eu quero o silêncio da calma, quero o vazio sem sentido. A ansiedade do peito que batia direto no coração, sem ruído algum, sem nada, apenas o silêncio e minhas verdades.
 Sem ninguém para me julgar, para me criticar. Sem nada para pensar, sem nada na cabeça. Uma simples meditação que faz com que eu fuja desse mundo. Um simples desejo.
 E na calma, conquistarei a paciência da alma, a verdade de pensar e parar. De questionar e fingir estar tudo bem. Eu quero a verdade escancarada sem brigas, quero a paciência de uma criança.
 Quero aprender a desenhar d enovo, soltar os primeiros passos. Ouvir a primeira risada, a verdadeira paciência de ensinar.
 Acabou tudo. Não há paz, não há calma e nem paciência.
 Para onde o mundo foi parar?


Lágrimas de vidro

quinta-feira, 15 de setembro de 2016


Não espere nada de mim. Não espere que eu caia nessa ladainha de novo.
Meu amor, seja lá o que for, já acabou. Não é possível amar e raciocinar direito. As minhas paixões são tantas.
Prepare-se para pagar a sua conta.
Eu te amei mais do que você podia se amar.
Eu juro que tentei, eu juro que fiz todos os nossos textos e escrevi o nosso roteiro.
Eu bati um carro em seu nome, bati a nossa alma enquanto ela lacrimejava de dor.
O tempo passou e nós ficamos fazendo cena para o público.
Aguarde os aplausos.

Eu só não quero ser o último a chorar, por isso eu prefiro sair desse barco antes que ele afunde.


No hotel


Há algumas verdades que não devem ser ditas. Há certas coisas que devem ficar no silêncio.
Um quarto de hotel vazio com nossas almas.
Eu menti pra você naquele dia. Eu estava com outro. Eu sempre estive com outro.
Eu menti muito para nós dois. Eu menti tanto.
Eu tinha medo.
Tinha coisas que nos satisfaziam, tinha tanta coisa que eu gostava em você. Eu não queria te perder.
Se você quer saber o que eu quis, não devia perguntar. Você me conhece.
O tempo passa e eu pensei demais, eu menti demais… Eu menti.
Isso me dói, mas não me arrependo.

Eu não queria ter que seguir sozinha.