Pensamentos

segunda-feira, 23 de abril de 2012


O mundo rabiscado. Entrelaçado nas veias do meu corpo, destruído e corrompido por todos os meus amores.

O universo mudo. Sem nenhum som para se ouvir, sem nada para se sentir. Apenas o frio que aquece o coração.

A criação morta. Nada realmente importa, não é? Se não importasse não estaríamos aqui.

A overdose. Nada mais sutil do que sentir o doce veneno sobrepondo todos os seus sentidos e acariciando todos os meus pensamentos.

A loucura. Nada tão incrível, eu diria. Ela é tão normal que eu sei que não pode fazer nada pra me derrubar, não agora.

Os sentimentos. São vazios, com certeza. Não tenho nada mais além do ódio e sofrimento.

O caderno. Foi apenas mais um caderno qualquer, com textos e frases, com meus últimos sentimentos colocados.

O livro. Os sentimentos mortos e corruptos de um ser tão extraordinário que o perdi. Não sei onde o livro está.

A caneta. A cor é preta, preta como meu coração. Esvazia todos os bimestres e eu ainda fico chateado com toda essa escuridão saindo.

As frases. Já se foram.

As fases. Todos temos, todos tememos, todos entendemos, mas na realidade nem existe. A fase da vida não é uma fase nem uma passagem, é uma idéia concreta.

O amor. No momento está sendo doloroso o suficiente pra fazer eu me embriagar só pra esquecer o mundo.

As dimensões. Sim, elas existem. O meu mundo é feito de dimensões estranhas e surreais que formam as minhas verdades.

Deus. Deixou-me em paz, finalmente.

Estudo. Nada mais do que uma forma de me perder e sair do mundo, me revoltar e ficar feliz.

Revolução. Só existe para as pessoas de verdade.

Sonhos. Pra mim são chamados de ilusões, eles não existem. Os verdadeiros sonhos fazem parte da paz.

Ilusões. São pequenos seres voadores que transmitem ideias e imaginam nossos sentimentos.

Mente. Nunca foi humana.

Saudades. É um ser vivo maligno que faz o coração doer todos os dias.

Músicas. Sentimentos das outras pessoas, ideias que não existem, verdades controladas e mídia capitalista.


Você

sábado, 21 de abril de 2012


É no seu olhar que encontro o brilho das estrelas, enquanto a saudade resolve me matar, isso tudo parece nunca ter um fim. O tempo parece ser tão devagar quando você não está e a saudade resolve bater. O mundo finalmente para quando me encontro em teus abraços, parece ser tudo diferente do que é agora. O caderno rabiscado com anotações quaisquer, uma vida bagunçada e várias dores que me perseguem. Tudo isso resolve voar distante, tudo isso diz que vai passar enquanto eu tiver você ao meu lado. Seus sorrisos estranhos e seu próprio jeito de ser, é isso que me completa. E o tempo resolve parar justamente quando você está longe de mim. O meu mundo parece flutuar em um mar de infinidades e oportunidades que me faz ser tão imperfeito. O meu abraço não é apertado, porque tenho medo de destruir o meu mundo, minha vida é bagunçada, mas sobra espaço o suficiente para ter você.
 Nada parece ser tão descontrolável e é difícil de tentar explicar todos esses sentimentos.


A última promessa

quinta-feira, 19 de abril de 2012


Enquanto eu ficava deitado na minha cama me lamentando, ouvia todas aquelas músicas, melodias tristes, que me lembravam você. Todas as vozes que ecoavam em minha mente se foram, todas as personalidades que eu tinha se esgotaram. Agora são lembranças. Estou perdido como sempre, não posso evitar. O que me resta é apenas seguir em frente, sem procurar e nem achar, sem amar e sentir. Perdi todas as esperanças, calculei tudo errado. Isso tudo destruiu o que restava do meu coração.
 Todas as cartas sem sentido, o que eu escrevi e todos os presentes mais bestas que se pode imaginar, guarde-os com carinho. Lembranças que eu te dei. Enquanto essa overdose está me matando, enquanto eu sei que você está lendo essa carta de adeus. Um dia eu fui feliz, eu sabia que existia em mim um pouco de humanidade. Você, sem perceber, destruiu tudo. Voltei a ser um desumano, um desalmado. A única coisa que me aguarda, neste momento, é a morte. Ambos, eu e ela, ansiosos. Um procurando vencer o outro com a sorte que eu tenho e o poder esplêndido que ela possui.
 Estou sem caminho, estou sem rumo... Histórias já escritas, verdades já esquecidas. Apenas mais um perdido nesse mundo.


Desabafo de um qualquer

terça-feira, 17 de abril de 2012


O telefone toca. A mente vibra, o coração acelera, a vida muda. Não era quem eu esperava. Era apenas mais um outro qualquer... O celular vibra, é mensagem, o coração muda, a mente acelera, a vida vibra. É apenas mais uma mensagem qualquer... O sonho aumenta, a mente voa, enquanto as frases sem sentido começam a novamente ter rimas. As lágrimas escorrem pelos olhares tristes, as verdades gritam em minha mente. Te perdi. Não há mais sonho. Começo a errar em tudo o que faço, mas fazer o que? Não faço nada a não ser pensar em ti...
 O celular toca, é o despertador, a música me faz viajar. Não desligo o despertador por querer ouvir a música. Vou à cozinha e tento preparar algo pra comer, não tem nada no armário que me agrade, a geladeira está lotada de sonhos e nada que vai me sustentar. Sustentar o vazio no coração. Tem miojo! É o que tem pra comer, a única coisa que vai me satisfazer, a única que vai tirar a minha carência.
Não sei mais o que fazer... Tento vasculhar sua vida, mas você me bloqueou em tudo. Tento saber o que aconteceu com você, quem você se tornou? Pra qual mundo decidiu voar? É melhor deixar pra lá, não quero reviver o passado. Acordei sonhando com você me ligando... O celular tocou de verdade, eu senti a sua voz, eu senti seus sentimentos. Foi apenas um sonho... Preciso parar de me lamentar, seguir a vida. Ainda te amo, como sempre amei, estou tentando te esquecer. Difícil. Estou gostando de outra pessoa, se isso ajudar, estou sonhando com essa outra pessoa. Inesquecível te esquecer...


A fuga

domingo, 15 de abril de 2012


As ruas estão tão vazias quanto o meu coração, um coração qualquer que lamenta de tudo. Caminhei em lugares que nem conhecia, percebia todos os movimentos ao redor do meu corpo, cada olhar desviado para mim como se fossem me matar. Lamento-me o dia inteiro por ter te perdido, procuro os meus erros num passado qualquer. Minha alma está implorando e desejando por um pingo de atenção, procuro a verdade para dizer que a realidade está errada. Em todos os que eu quero ficar, eu procuro por você. É como se fosse uma verdade absoluta, como se só você ainda existisse em meu coração. Um desejo que eu sempre quis uma pessoa que eu prometi amar. Seus olhos que me fazia ser a pessoa mais feliz do mundo. Meus olhos que brilhavam ao te ver, minha mente que mudava cada vez que você tocava em meus sentimentos. Nos meus sonhos eu fujo, fujo ao seu lado e vou para um lugar qualquer.
 Por que me deixou tão cedo?
 Enquanto eu fiquei na cama, debaixo das cobertas, podia até sorrir. O mundo é muito cruel quando se trata de mim, ele me critica e todos tentam me mostrar seus valores. Contei para o travesseiro tudo o que dó em mim, ele sentiu minhas lágrimas, ouviu minhas lástimas e agüentou as penitências de uma alma qualquer.
 Não faz mais sentido... Meu coração bate, sem sentimentos para suprir, meu coração só bate sem ninguém para amar.
 É um vazio que bate na alma, é um buraco que corrói e destrói os amores de qualquer um.
 Nos meus sonhos eu fujo...


Borboletas de uma natureza morta

quinta-feira, 12 de abril de 2012

As lágrimas que descem por todo o corpo, misturando os sentimentos. O pecado que destrói e corrói tudo o que sentimos, a realidade que jamais foi mostrada. O mundo virtual, aonde finalmente veio à felicidade. É nele que encontramos as lástimas perdidas, os amores derrotados, as crianças mortas e crucificadas por religiões quaisquer. Está tudo saindo de dentro de mim, todas as lágrimas, como se fosse verdadeiro. Eu sei que não é verdade. É o ódio ficando com meu corpo, é a raiva tomando conta de meus pensamentos, é a sociedade que revela tudo o que ela tem. Críticas, críticas e mais críticas, quando vamos parar de criticar e finalmente agir? Quando vamos nos levantar dessa cadeira, desligar os monitores, desligar os programadores e sair um pouco? Ver as borboletas voando no ar, sentir a liberdade da vida... Isso nunca vai acontecer. Não existem mais borboletas, estão mortas, a natureza já se foi... A chuva cai e lava nossas almas... Mas não existe a chuva pura! A chuva ácida cai e corrompe nossos corações, destrói nossos corpos e deixa somente a nossa alma exposta ao sol que acabou de surgir. Aquele sol extremamente quente, aquele sol destrutivo que deixa as dores piores. Almas feridas, feridas expostas. Estamos mortos, caídos, destruídos, destronados. Já fomos muito mais humanos...



Sonhos de um pássaro

quarta-feira, 11 de abril de 2012


Sonhos de um pássaro... A vida passageira. Histórias de um louco, as verdades e as certezas de um filósofo. A alegria distinta, a infância acabada, o amor corrompido pela desgraça. Tudo sem sentido, reluzindo nas águas do mar; tudo diferente, enquanto os amores logo estão para acabar. A loucura pré-estabelecida, as drogas que nem são usadas, as vertentes ali deixadas, enquanto a verdade já está acabada. As risadas de uma verdadeira amizade, as lágrimas de uma rara falsidade.
 Nada mais faz sentido... O mundo está destruído, os humanos são elogiados, a reflexão já se foi junto da verdadeira veracidade. As feras estão gritando, as loucuras aumentando. O mundo saindo e deixando comigo a realidade. O amor se casa com o ódio e juntos estão de mãos dadas, as frases estão saindo de uma boca qualquer. As luzes estão piscando, o céu está escurecendo, a realidade está gritando para as crianças que estão nascendo. Não há rima, não há fala, está tudo girando sem rumo de onde vai parar. Os sonhos são de um passarinho...


O som da vida

segunda-feira, 9 de abril de 2012


Quando criança, escutava todas aquelas cantigas, sem perceber que muitas delas falavam de amor. Algumas de dormir, outras para sonhar, muitas delas somente se podia parar para dançar. A imaginação criava, a risada soltava as crianças que se divertiam com a maior alegria. Sem se importar com o presente que o futuro lhes guardou...
 Quando adolescente, vieram todos aqueles pensamentos, aquelas dúvidas e as verdades não correspondentes. O som que nos deixava o som que nos aguardava. Com suas músicas pesadas, com aquelas lhes faziam chorar, o amor nada era capaz de mudar. Os sentimentos loucos, as músicas falavam da verdade e da doutrina escondida.
 Quando adulto, lhe começou a vida, correria e sem tempo, algumas músicas em outras línguas já não o agradava mais, ele gostava de refletir a verdade. As rosas que seus ídolos jogavam, enquanto os reis cantavam, eram eternizado todo o amor e a festa não lhe acabavam.
 Quando velho, nada te importava, queria voltar no tempo e desfrutar das músicas que mais lhe agradava. Sem ritmo, ou fala, apenas o som já lhe bastava. Os céus ficavam escuros e a luz lhe agradecia de todo aquele bondoso som, tudo que lhe restava era cair em sua harmonia. O desejo de voltar no tempo o agradava em tudo, até quem sabe, ele voltar e seus gostos musicais novamente mudarem...


A criadora

quinta-feira, 5 de abril de 2012


É tão difícil saber que está sendo real... É tão estranho ter essa certeza. São sentimentos puros, sentimentos verdadeiros, a escolha desnecessária... Eu escolhi o que é errado e você decidiu seguir o mesmo caminho, sou igual, eu te quero. Tão ferido... Sim, eu estou ferido o suficiente pra saber que não vou agüentar por muito tempo. Você não fez nenhuma promessa, você não desejou nada, simplesmente ficou quieto em seu canto. Sem nem ao menos olhar para mim. A luz, se existe, está próxima para que eu possa seguir até ela. A escuridão, mesmo inexistente, fica dentro de mim, me persegue e me destrói. O que eu fiz de tão errado? Eu era apenas uma criança, uma criança com sonhos quaisquer, me transformaram nisso... Nisso! Nessa coisa errônea que sou hoje em dia com esse ódio todo que tenho em mente, com toda essa amargura mergulhada em desejos diferentes e sanguinários, um impotente ser vivo sem nem ao menos ter a inteligência necessária para a sobrevivência, sem ter o porte físico para agüentar o que vem pela frente. Dentro de mim ainda tem uma alma, mesmo que repartida, ainda há um pouco de ser humano. Eu desejo estar com você...
 Uma vez me contaram uma história um tanto que interessante... Era sobre a Vida, uma mulher magnífica e cheia de desejos. Uma criadora de oportunidades, cheia de verdades, com argumentação ótima e um desejo de provar que tudo é lindo. Ela sempre foi a melhor amiga de qualquer um, perfeita e maravilhosa. E a Imaginação era sua defesa, ela sempre sabia o que fazer nos momentos mais difíceis. Então, os céus começaram a ficar cinza, era um dia qualquer sem nada de especial.  Ela continuava andando, não importava o que iria acontecer, era a sua Determinação que a movia. “Você não é melhor nem pior que os outros, somos todos iguais” dizia a Vida em seus tons calmos e melódicos, sem demonstrar tristeza... Mas era a Tristeza que a seguia em todos os lugares, mesmo sem ela saber. Era a Tristeza sua maior inimiga. E então, quando tudo finalmente estava perfeita a vida morreu. Morta pela Tristeza. A Imaginação estava deprimida, sua única defesa estava fraca, a Determinação havia caído em todas as lamentações existentes e por fim se deu por completa ao Vício. Antes de sua morte, a Vida, deu um último sorriso e chorou. Suas lágrimas eram tão normais quanto às lágrimas de qualquer outro sentimento. A Vida não demonstrou sua tristeza nem mesmo ao ser morta.


O grito

terça-feira, 3 de abril de 2012


Silêncio... Nada mais se ouvia a não ser o Silêncio. A voz mais alta que gritava era o Silêncio. As respostas silenciadas, as perguntas caladas. Não há nada mais para se refletir, tudo se foi tudo partiu. O Silêncio quebrou as regras, o silêncio destruiu a voz. O ser humano se foi, a chuva acabou, as guerras não existiam, o dinheiro partiu para outro mundo, o caos estava quieto em seu canto, a verdade não argumentava, a mentira não criticava, o sol que ali existia já tinha partido faz tempo. O silêncio mudou o mundo... A ordem ficou perdida, a desordem nunca mais foi encontrada. O herói da humanidade havia gritado com seu mais alto tom de voz e isso fez tudo mudar. O Silêncio se casou com a Solidão. A Solidão traiu o Silêncio com a Depressão e por assim foi... A Solidão nunca foi realmente só. Ela gostava de ficar com outros sentimentos, com outras verdades, outras vertentes, outras doutrinas. O Silencio inquietou-se e quis dar um fim na Solidão. Calou-se. O Silêncio ficou quieto, calado, parou de gritar. O mundo voltou a girar lentamente, o ser humano voltou junto de seus animais e suas plantas, a chuva veio tão forte quanto deveria e lavou todas as almas, as guerras voltaram a existir, o dinheiro não se acostumou com outros planetas, o caos ficou inquieto e teve a sua hora de se mostrar capaz, a verdade argumentou contra as críticas da mentira e o sol que ali havia sumido voltou junto da lua e ambos tiveram como filhas as mais lindas estrelas. Foi graças ao grito do Silêncio que tudo voltou a ser o que deveria ser, mas nada voltou a ser o que era de verdade.


Nós

sábado, 31 de março de 2012


Quando éramos amigos, éramos inimigos. Lembra-se? Ah, com certeza. As brigas semanárias, a união diária. Meses e meses. Assim permaneceu. Algo bateu na porta com um pedaço de papel colado na cabeça: adeus. Anos e anos passaram-se. Há pouco tempo, encontramo-nos. Você bateu em minha consciência, e eu abri. Lembro-me claramente de ter esbarrado com você, e, desde então, continuamos nos batendo, nos odiando, mas também sendo os melhores amigos. Agora eu te espero. Aliás, nós nos esperamos. Nossas personalidades problemáticas e loucas vão se encontrar novamente. Por incrível que pareça, continuaremos sendo inimigos, porém, amigos. E nós? Nós vamos nos separar! Nós vamos nos juntar! Mais uma e mais uma vez, continuando assim, até que... Até que o que?    


Desejos, vontades e anseios.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Um livro aberto na mesa, uma caneta vermelha qualquer jogada perto do livro e várias vontades. Talvez aquilo fosse a verdadeira paz... Ou a solidão. Enquanto tenho devaneios e sonhos, enquanto eu amo e odeio todas as pessoas que fizeram parte do meu passado, eu relembro de cada momento. Que saudades de ser uma eterna criança, sem precisar me preocupar com coisas chatas e bestas, sem entender e sem me preocupar com o que existe e com o que nunca existirá, sem precisar entender todas as teorias feitas pelos grandes da história... Que saudade... Mas foi por causa dessa solidão que tenho que me fazer ser o que sou no momento em que a solidão que me conforta e o silêncio é o único que me ouve nos momentos vagos. Bate tanta saudade daquela alegria gigantesca, aquela vontade de se provar de que a imaginação era tão real quanto tudo o que temos hoje em dia. Foi a solidão que me fez assim... Enquanto me deito, só, na cama, tento imaginar alguém ao meu lado. Novamente me sinto só... Sem ninguém ao lado, só com um livro de quase sessenta e oito anos pra me ajudar. Só com os desejos de um sonhador qualquer, só com as vontades de voar e sair gritando no meio da rua, de madrugada, só pra acordar os vizinhos, mas nada disso acontecerá... Só tem a solidão pra me confortar e os desejos de um mero sonhador qualquer, que nem ao menos consegue sustentar os desejos e as vontades que tem. Sou apenas mais um voador, mais um iludido, mais um sonhador...



Anjos...

domingo, 25 de março de 2012


Estava tudo tão escuro, a morte caminhava. Eu podia sentir o espaço vazio, sentir o medo injetando altas doses de desilusão dentro do meu coração. Não era nada deprimente, era apenas a realidade batendo mais uma vez na minha cara. Aquela overdose que eu sentia a overdose da humanidade, esse cálice cheio de sangue inocente. Os olhos vendados pela justiça, os políticos passando suas lâminas entre os pescoços daqueles mais pobres. Essa destruição que eu podia sentir era a revolução dos mortos... A desilusão ainda era injetada, seu veneno era tão doce quanto à vodka. Eu estava ficando revoltado com todos. Aquele mundo capitalista e miserável, aquele universo paralelo ao qual eu participava. O ódio de um pecador, sim eu era um pecador. Enquanto o sangue inocente era posto em cálices de cristal, a overdose capitalista acontecia ninguém fazia nada. Ninguém movia um dedo. As almas gritando com um som agudo e mortal, um grito da verdade; os corruptos se deliciando e se limpando com seu dinheiro negro.
 Estava posto um inferno liderado pelo próprio capitalismo, aqueles malditos... Todos entrando em declínio, todos se destruindo em seu orgulho. Era aquilo que o SER HUMANO havia criado, era aquilo que todos tínhamos que confrontar. Era a verdade mostrada em minha face enquanto os outros permaneciam quietos.
 Mas... O que era aquilo que iludia e alegrava meu coração? Era um anjo sem asas? Ah, não, eram apenas animais dóceis aos quais os humanos faziam questão de matar e torturar. Era a realidade, dessa vez, mostrada com lindos olhos e uma alma pura. Ainda assim, aquele animal tinha de morrer. A morte dele abriu meus olhos. Eu vi a realidade, era tão linda quanto à verdade. Era surreal demais. E então me encontrei com a morte. Sem poder mostrar a realidade, sem querer ver. Ninguém pôde ver, pois fui agraciado pela face de um Deus, um Deus maldito. A realidade misturada com a verdade era algo tão perfeito quanto as nossas almas. Impossível de descrever aquele lindo anjo... 
 Eram os meus doces anjos...


O fim...

terça-feira, 13 de março de 2012


Todos aqueles sentimentos será que foram vazios? Será que existiram? Toda aquela alegria, todo aquele medo que eu sentia... Será que foi tudo falso? O que foi que eu senti? Por que eu tinha que te amar? O sangue escorrendo por todas as facas, os pulsos cortados, a dor se lamentando pelo amor... O que era aquilo? Foi uma realidade vazia, foi uma realidade morta, foi à verdadeira realidade. Todas aquelas músicas que eu te fazia escutar, todos aqueles desenhos que você me fez ver... Tudo aquilo fez parte de uma vida. E isso quebra tanto meu coração... É como se a saudade fosse um tijolo sendo atingindo todos os dias a minha cara, é como se tudo aquilo não fosse verdadeiro. O que significa o verdadeiro? E aquelas músicas francesas, você se lembra? Os dias que passamos rindo juntos, os dias que ficamos na cama dormindo, o dia em que ficamos esperando na rua... O dia em que nos encontramos. Quando retirei sua blusa, quando olhei em teus olhos e meus desejos começaram a fluir... Enquanto tudo aquilo estava sendo real, ao menos pra mim, era verdadeiro? Teu poema sob o abajur... As frases de músicas, as lindas melodias que tocávamos juntos, os prazeres que tínhamos apenas em irritar um ao outro... A verdade escondida, a realidade não mostrada, a morte alastrada, a inquietação verdadeira, as rimas sem sentido, os poemas vazios... Tudo se passou como se fosse o vento, tudo fez as voltas que devia dar e saiu de nossos controles, as raivas começaram a tomar conta de nós dois... Quem era? O barulho na porta, alguém batia com força, a força bruta que nos desmoralizava, o medo que percorria em nossas mentes... A verdade mostrada, a realidade nos espancando aos poucos e nem percebemos. Morremos um sem o outro. E as facas, meu amor, as facas ainda percorrem as veias de meu corpo. Eu prometi que não choraria, disse que estava forte o suficiente pra agüentar... Mas nunca estamos preparados o suficiente. E foi assim que eu pude sentir toda a tristeza de te perder, a tristeza que eu lamentava não poder recolher, a tristeza que saiu de dentro de mim e grudou em meu corpo. Não há nada mais triste do que me ver assim... Caído nas estradas, com a garrafa de vinho nas mãos, vomitando a minha alma, destruindo meu fígado, sentindo a loucura... Aquela loucura que desejou voltar. 



Cálice da humanidade

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012


A vontade de fugir, de sair desse mundo. Ver o sangue escorrer, as pessoas gritando, ver tudo girando. Se drogar com tudo isso, é nostálgico. Ficar bêbado de tantas mortes, sentir a verdadeira alma humana sendo torturada, sendo destruída. A vontade de fugir... Destruir, analisar, estudar, ver, refazer, construir. É pra isso que nascemos. Ver, sentir, matar, ouvir, sussurrar, torturar... É o humano entrando em nostalgia! Sintam a alegria do capitalismo! É assim que acontece, sem nenhum outro ponto sendo escondido. Se drogar com todo esse dinheiro, ficar bêbado de tantas coisas materiais que podemos comprar... Matar as vidas humanas... É nisso tudo que podemos ver, não é? Você não vê? Oras, não vê os mendigos jogados na sarjeta implorando por comida, as crianças desnutridas da África implorando por um pouco mais de comida... O que causou tudo isso? Foi esse DEUS DO CAPITALISMO! Esse desgraçado ao qual tenho ódio até hoje. Oras, as leis de Deus (o todo poderoso) são perfeitas não são? Quem criou o capitalismo não foi o ser humano? Sim, foi o ser humano... Mas graças a Deus existe o ser humano, não é? Graças a Deus existe o capitalismo, a corrupção, a fome, a desgraça, etc. Eu poderia passar a eternidade falando do Deus do Capitalismo, e há ainda quem não crê Nele. É tão óbvio, veja, ele existe. Se o dinheiro existe, Ele também existe. Afinal, foi esse Deus que decidiu criar o capitalismo, foi esse Deus justo e perfeito (ocasionalmente todo poderoso) que decidiu criar a “humanidade”. Overdose, overdose, OVERDOSE! Overdose depositada na fé, overdose depositada no dinheiro. UM PEDAÇO DE PAPEL! Quem é pra criticar Deus e suas obras perfeitas? Afinal, se as pessoas estão sofrendo, morrendo, estão doentes, estão agraciadas por tudo isso é porque há um motivo em especial. O motivo é simples: falta de papel (dinheiro) que lhes compre a comida. Graças a Deus existe o capitalismo.