O grito

terça-feira, 3 de abril de 2012


Silêncio... Nada mais se ouvia a não ser o Silêncio. A voz mais alta que gritava era o Silêncio. As respostas silenciadas, as perguntas caladas. Não há nada mais para se refletir, tudo se foi tudo partiu. O Silêncio quebrou as regras, o silêncio destruiu a voz. O ser humano se foi, a chuva acabou, as guerras não existiam, o dinheiro partiu para outro mundo, o caos estava quieto em seu canto, a verdade não argumentava, a mentira não criticava, o sol que ali existia já tinha partido faz tempo. O silêncio mudou o mundo... A ordem ficou perdida, a desordem nunca mais foi encontrada. O herói da humanidade havia gritado com seu mais alto tom de voz e isso fez tudo mudar. O Silêncio se casou com a Solidão. A Solidão traiu o Silêncio com a Depressão e por assim foi... A Solidão nunca foi realmente só. Ela gostava de ficar com outros sentimentos, com outras verdades, outras vertentes, outras doutrinas. O Silencio inquietou-se e quis dar um fim na Solidão. Calou-se. O Silêncio ficou quieto, calado, parou de gritar. O mundo voltou a girar lentamente, o ser humano voltou junto de seus animais e suas plantas, a chuva veio tão forte quanto deveria e lavou todas as almas, as guerras voltaram a existir, o dinheiro não se acostumou com outros planetas, o caos ficou inquieto e teve a sua hora de se mostrar capaz, a verdade argumentou contra as críticas da mentira e o sol que ali havia sumido voltou junto da lua e ambos tiveram como filhas as mais lindas estrelas. Foi graças ao grito do Silêncio que tudo voltou a ser o que deveria ser, mas nada voltou a ser o que era de verdade.


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