A fuga

domingo, 15 de abril de 2012


As ruas estão tão vazias quanto o meu coração, um coração qualquer que lamenta de tudo. Caminhei em lugares que nem conhecia, percebia todos os movimentos ao redor do meu corpo, cada olhar desviado para mim como se fossem me matar. Lamento-me o dia inteiro por ter te perdido, procuro os meus erros num passado qualquer. Minha alma está implorando e desejando por um pingo de atenção, procuro a verdade para dizer que a realidade está errada. Em todos os que eu quero ficar, eu procuro por você. É como se fosse uma verdade absoluta, como se só você ainda existisse em meu coração. Um desejo que eu sempre quis uma pessoa que eu prometi amar. Seus olhos que me fazia ser a pessoa mais feliz do mundo. Meus olhos que brilhavam ao te ver, minha mente que mudava cada vez que você tocava em meus sentimentos. Nos meus sonhos eu fujo, fujo ao seu lado e vou para um lugar qualquer.
 Por que me deixou tão cedo?
 Enquanto eu fiquei na cama, debaixo das cobertas, podia até sorrir. O mundo é muito cruel quando se trata de mim, ele me critica e todos tentam me mostrar seus valores. Contei para o travesseiro tudo o que dó em mim, ele sentiu minhas lágrimas, ouviu minhas lástimas e agüentou as penitências de uma alma qualquer.
 Não faz mais sentido... Meu coração bate, sem sentimentos para suprir, meu coração só bate sem ninguém para amar.
 É um vazio que bate na alma, é um buraco que corrói e destrói os amores de qualquer um.
 Nos meus sonhos eu fujo...


Borboletas de uma natureza morta

quinta-feira, 12 de abril de 2012

As lágrimas que descem por todo o corpo, misturando os sentimentos. O pecado que destrói e corrói tudo o que sentimos, a realidade que jamais foi mostrada. O mundo virtual, aonde finalmente veio à felicidade. É nele que encontramos as lástimas perdidas, os amores derrotados, as crianças mortas e crucificadas por religiões quaisquer. Está tudo saindo de dentro de mim, todas as lágrimas, como se fosse verdadeiro. Eu sei que não é verdade. É o ódio ficando com meu corpo, é a raiva tomando conta de meus pensamentos, é a sociedade que revela tudo o que ela tem. Críticas, críticas e mais críticas, quando vamos parar de criticar e finalmente agir? Quando vamos nos levantar dessa cadeira, desligar os monitores, desligar os programadores e sair um pouco? Ver as borboletas voando no ar, sentir a liberdade da vida... Isso nunca vai acontecer. Não existem mais borboletas, estão mortas, a natureza já se foi... A chuva cai e lava nossas almas... Mas não existe a chuva pura! A chuva ácida cai e corrompe nossos corações, destrói nossos corpos e deixa somente a nossa alma exposta ao sol que acabou de surgir. Aquele sol extremamente quente, aquele sol destrutivo que deixa as dores piores. Almas feridas, feridas expostas. Estamos mortos, caídos, destruídos, destronados. Já fomos muito mais humanos...



Sonhos de um pássaro

quarta-feira, 11 de abril de 2012


Sonhos de um pássaro... A vida passageira. Histórias de um louco, as verdades e as certezas de um filósofo. A alegria distinta, a infância acabada, o amor corrompido pela desgraça. Tudo sem sentido, reluzindo nas águas do mar; tudo diferente, enquanto os amores logo estão para acabar. A loucura pré-estabelecida, as drogas que nem são usadas, as vertentes ali deixadas, enquanto a verdade já está acabada. As risadas de uma verdadeira amizade, as lágrimas de uma rara falsidade.
 Nada mais faz sentido... O mundo está destruído, os humanos são elogiados, a reflexão já se foi junto da verdadeira veracidade. As feras estão gritando, as loucuras aumentando. O mundo saindo e deixando comigo a realidade. O amor se casa com o ódio e juntos estão de mãos dadas, as frases estão saindo de uma boca qualquer. As luzes estão piscando, o céu está escurecendo, a realidade está gritando para as crianças que estão nascendo. Não há rima, não há fala, está tudo girando sem rumo de onde vai parar. Os sonhos são de um passarinho...


O som da vida

segunda-feira, 9 de abril de 2012


Quando criança, escutava todas aquelas cantigas, sem perceber que muitas delas falavam de amor. Algumas de dormir, outras para sonhar, muitas delas somente se podia parar para dançar. A imaginação criava, a risada soltava as crianças que se divertiam com a maior alegria. Sem se importar com o presente que o futuro lhes guardou...
 Quando adolescente, vieram todos aqueles pensamentos, aquelas dúvidas e as verdades não correspondentes. O som que nos deixava o som que nos aguardava. Com suas músicas pesadas, com aquelas lhes faziam chorar, o amor nada era capaz de mudar. Os sentimentos loucos, as músicas falavam da verdade e da doutrina escondida.
 Quando adulto, lhe começou a vida, correria e sem tempo, algumas músicas em outras línguas já não o agradava mais, ele gostava de refletir a verdade. As rosas que seus ídolos jogavam, enquanto os reis cantavam, eram eternizado todo o amor e a festa não lhe acabavam.
 Quando velho, nada te importava, queria voltar no tempo e desfrutar das músicas que mais lhe agradava. Sem ritmo, ou fala, apenas o som já lhe bastava. Os céus ficavam escuros e a luz lhe agradecia de todo aquele bondoso som, tudo que lhe restava era cair em sua harmonia. O desejo de voltar no tempo o agradava em tudo, até quem sabe, ele voltar e seus gostos musicais novamente mudarem...


A criadora

quinta-feira, 5 de abril de 2012


É tão difícil saber que está sendo real... É tão estranho ter essa certeza. São sentimentos puros, sentimentos verdadeiros, a escolha desnecessária... Eu escolhi o que é errado e você decidiu seguir o mesmo caminho, sou igual, eu te quero. Tão ferido... Sim, eu estou ferido o suficiente pra saber que não vou agüentar por muito tempo. Você não fez nenhuma promessa, você não desejou nada, simplesmente ficou quieto em seu canto. Sem nem ao menos olhar para mim. A luz, se existe, está próxima para que eu possa seguir até ela. A escuridão, mesmo inexistente, fica dentro de mim, me persegue e me destrói. O que eu fiz de tão errado? Eu era apenas uma criança, uma criança com sonhos quaisquer, me transformaram nisso... Nisso! Nessa coisa errônea que sou hoje em dia com esse ódio todo que tenho em mente, com toda essa amargura mergulhada em desejos diferentes e sanguinários, um impotente ser vivo sem nem ao menos ter a inteligência necessária para a sobrevivência, sem ter o porte físico para agüentar o que vem pela frente. Dentro de mim ainda tem uma alma, mesmo que repartida, ainda há um pouco de ser humano. Eu desejo estar com você...
 Uma vez me contaram uma história um tanto que interessante... Era sobre a Vida, uma mulher magnífica e cheia de desejos. Uma criadora de oportunidades, cheia de verdades, com argumentação ótima e um desejo de provar que tudo é lindo. Ela sempre foi a melhor amiga de qualquer um, perfeita e maravilhosa. E a Imaginação era sua defesa, ela sempre sabia o que fazer nos momentos mais difíceis. Então, os céus começaram a ficar cinza, era um dia qualquer sem nada de especial.  Ela continuava andando, não importava o que iria acontecer, era a sua Determinação que a movia. “Você não é melhor nem pior que os outros, somos todos iguais” dizia a Vida em seus tons calmos e melódicos, sem demonstrar tristeza... Mas era a Tristeza que a seguia em todos os lugares, mesmo sem ela saber. Era a Tristeza sua maior inimiga. E então, quando tudo finalmente estava perfeita a vida morreu. Morta pela Tristeza. A Imaginação estava deprimida, sua única defesa estava fraca, a Determinação havia caído em todas as lamentações existentes e por fim se deu por completa ao Vício. Antes de sua morte, a Vida, deu um último sorriso e chorou. Suas lágrimas eram tão normais quanto às lágrimas de qualquer outro sentimento. A Vida não demonstrou sua tristeza nem mesmo ao ser morta.


O grito

terça-feira, 3 de abril de 2012


Silêncio... Nada mais se ouvia a não ser o Silêncio. A voz mais alta que gritava era o Silêncio. As respostas silenciadas, as perguntas caladas. Não há nada mais para se refletir, tudo se foi tudo partiu. O Silêncio quebrou as regras, o silêncio destruiu a voz. O ser humano se foi, a chuva acabou, as guerras não existiam, o dinheiro partiu para outro mundo, o caos estava quieto em seu canto, a verdade não argumentava, a mentira não criticava, o sol que ali existia já tinha partido faz tempo. O silêncio mudou o mundo... A ordem ficou perdida, a desordem nunca mais foi encontrada. O herói da humanidade havia gritado com seu mais alto tom de voz e isso fez tudo mudar. O Silêncio se casou com a Solidão. A Solidão traiu o Silêncio com a Depressão e por assim foi... A Solidão nunca foi realmente só. Ela gostava de ficar com outros sentimentos, com outras verdades, outras vertentes, outras doutrinas. O Silencio inquietou-se e quis dar um fim na Solidão. Calou-se. O Silêncio ficou quieto, calado, parou de gritar. O mundo voltou a girar lentamente, o ser humano voltou junto de seus animais e suas plantas, a chuva veio tão forte quanto deveria e lavou todas as almas, as guerras voltaram a existir, o dinheiro não se acostumou com outros planetas, o caos ficou inquieto e teve a sua hora de se mostrar capaz, a verdade argumentou contra as críticas da mentira e o sol que ali havia sumido voltou junto da lua e ambos tiveram como filhas as mais lindas estrelas. Foi graças ao grito do Silêncio que tudo voltou a ser o que deveria ser, mas nada voltou a ser o que era de verdade.


Nós

sábado, 31 de março de 2012


Quando éramos amigos, éramos inimigos. Lembra-se? Ah, com certeza. As brigas semanárias, a união diária. Meses e meses. Assim permaneceu. Algo bateu na porta com um pedaço de papel colado na cabeça: adeus. Anos e anos passaram-se. Há pouco tempo, encontramo-nos. Você bateu em minha consciência, e eu abri. Lembro-me claramente de ter esbarrado com você, e, desde então, continuamos nos batendo, nos odiando, mas também sendo os melhores amigos. Agora eu te espero. Aliás, nós nos esperamos. Nossas personalidades problemáticas e loucas vão se encontrar novamente. Por incrível que pareça, continuaremos sendo inimigos, porém, amigos. E nós? Nós vamos nos separar! Nós vamos nos juntar! Mais uma e mais uma vez, continuando assim, até que... Até que o que?    


Desejos, vontades e anseios.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Um livro aberto na mesa, uma caneta vermelha qualquer jogada perto do livro e várias vontades. Talvez aquilo fosse a verdadeira paz... Ou a solidão. Enquanto tenho devaneios e sonhos, enquanto eu amo e odeio todas as pessoas que fizeram parte do meu passado, eu relembro de cada momento. Que saudades de ser uma eterna criança, sem precisar me preocupar com coisas chatas e bestas, sem entender e sem me preocupar com o que existe e com o que nunca existirá, sem precisar entender todas as teorias feitas pelos grandes da história... Que saudade... Mas foi por causa dessa solidão que tenho que me fazer ser o que sou no momento em que a solidão que me conforta e o silêncio é o único que me ouve nos momentos vagos. Bate tanta saudade daquela alegria gigantesca, aquela vontade de se provar de que a imaginação era tão real quanto tudo o que temos hoje em dia. Foi a solidão que me fez assim... Enquanto me deito, só, na cama, tento imaginar alguém ao meu lado. Novamente me sinto só... Sem ninguém ao lado, só com um livro de quase sessenta e oito anos pra me ajudar. Só com os desejos de um sonhador qualquer, só com as vontades de voar e sair gritando no meio da rua, de madrugada, só pra acordar os vizinhos, mas nada disso acontecerá... Só tem a solidão pra me confortar e os desejos de um mero sonhador qualquer, que nem ao menos consegue sustentar os desejos e as vontades que tem. Sou apenas mais um voador, mais um iludido, mais um sonhador...



Anjos...

domingo, 25 de março de 2012


Estava tudo tão escuro, a morte caminhava. Eu podia sentir o espaço vazio, sentir o medo injetando altas doses de desilusão dentro do meu coração. Não era nada deprimente, era apenas a realidade batendo mais uma vez na minha cara. Aquela overdose que eu sentia a overdose da humanidade, esse cálice cheio de sangue inocente. Os olhos vendados pela justiça, os políticos passando suas lâminas entre os pescoços daqueles mais pobres. Essa destruição que eu podia sentir era a revolução dos mortos... A desilusão ainda era injetada, seu veneno era tão doce quanto à vodka. Eu estava ficando revoltado com todos. Aquele mundo capitalista e miserável, aquele universo paralelo ao qual eu participava. O ódio de um pecador, sim eu era um pecador. Enquanto o sangue inocente era posto em cálices de cristal, a overdose capitalista acontecia ninguém fazia nada. Ninguém movia um dedo. As almas gritando com um som agudo e mortal, um grito da verdade; os corruptos se deliciando e se limpando com seu dinheiro negro.
 Estava posto um inferno liderado pelo próprio capitalismo, aqueles malditos... Todos entrando em declínio, todos se destruindo em seu orgulho. Era aquilo que o SER HUMANO havia criado, era aquilo que todos tínhamos que confrontar. Era a verdade mostrada em minha face enquanto os outros permaneciam quietos.
 Mas... O que era aquilo que iludia e alegrava meu coração? Era um anjo sem asas? Ah, não, eram apenas animais dóceis aos quais os humanos faziam questão de matar e torturar. Era a realidade, dessa vez, mostrada com lindos olhos e uma alma pura. Ainda assim, aquele animal tinha de morrer. A morte dele abriu meus olhos. Eu vi a realidade, era tão linda quanto à verdade. Era surreal demais. E então me encontrei com a morte. Sem poder mostrar a realidade, sem querer ver. Ninguém pôde ver, pois fui agraciado pela face de um Deus, um Deus maldito. A realidade misturada com a verdade era algo tão perfeito quanto as nossas almas. Impossível de descrever aquele lindo anjo... 
 Eram os meus doces anjos...


O fim...

terça-feira, 13 de março de 2012


Todos aqueles sentimentos será que foram vazios? Será que existiram? Toda aquela alegria, todo aquele medo que eu sentia... Será que foi tudo falso? O que foi que eu senti? Por que eu tinha que te amar? O sangue escorrendo por todas as facas, os pulsos cortados, a dor se lamentando pelo amor... O que era aquilo? Foi uma realidade vazia, foi uma realidade morta, foi à verdadeira realidade. Todas aquelas músicas que eu te fazia escutar, todos aqueles desenhos que você me fez ver... Tudo aquilo fez parte de uma vida. E isso quebra tanto meu coração... É como se a saudade fosse um tijolo sendo atingindo todos os dias a minha cara, é como se tudo aquilo não fosse verdadeiro. O que significa o verdadeiro? E aquelas músicas francesas, você se lembra? Os dias que passamos rindo juntos, os dias que ficamos na cama dormindo, o dia em que ficamos esperando na rua... O dia em que nos encontramos. Quando retirei sua blusa, quando olhei em teus olhos e meus desejos começaram a fluir... Enquanto tudo aquilo estava sendo real, ao menos pra mim, era verdadeiro? Teu poema sob o abajur... As frases de músicas, as lindas melodias que tocávamos juntos, os prazeres que tínhamos apenas em irritar um ao outro... A verdade escondida, a realidade não mostrada, a morte alastrada, a inquietação verdadeira, as rimas sem sentido, os poemas vazios... Tudo se passou como se fosse o vento, tudo fez as voltas que devia dar e saiu de nossos controles, as raivas começaram a tomar conta de nós dois... Quem era? O barulho na porta, alguém batia com força, a força bruta que nos desmoralizava, o medo que percorria em nossas mentes... A verdade mostrada, a realidade nos espancando aos poucos e nem percebemos. Morremos um sem o outro. E as facas, meu amor, as facas ainda percorrem as veias de meu corpo. Eu prometi que não choraria, disse que estava forte o suficiente pra agüentar... Mas nunca estamos preparados o suficiente. E foi assim que eu pude sentir toda a tristeza de te perder, a tristeza que eu lamentava não poder recolher, a tristeza que saiu de dentro de mim e grudou em meu corpo. Não há nada mais triste do que me ver assim... Caído nas estradas, com a garrafa de vinho nas mãos, vomitando a minha alma, destruindo meu fígado, sentindo a loucura... Aquela loucura que desejou voltar. 



Cálice da humanidade

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012


A vontade de fugir, de sair desse mundo. Ver o sangue escorrer, as pessoas gritando, ver tudo girando. Se drogar com tudo isso, é nostálgico. Ficar bêbado de tantas mortes, sentir a verdadeira alma humana sendo torturada, sendo destruída. A vontade de fugir... Destruir, analisar, estudar, ver, refazer, construir. É pra isso que nascemos. Ver, sentir, matar, ouvir, sussurrar, torturar... É o humano entrando em nostalgia! Sintam a alegria do capitalismo! É assim que acontece, sem nenhum outro ponto sendo escondido. Se drogar com todo esse dinheiro, ficar bêbado de tantas coisas materiais que podemos comprar... Matar as vidas humanas... É nisso tudo que podemos ver, não é? Você não vê? Oras, não vê os mendigos jogados na sarjeta implorando por comida, as crianças desnutridas da África implorando por um pouco mais de comida... O que causou tudo isso? Foi esse DEUS DO CAPITALISMO! Esse desgraçado ao qual tenho ódio até hoje. Oras, as leis de Deus (o todo poderoso) são perfeitas não são? Quem criou o capitalismo não foi o ser humano? Sim, foi o ser humano... Mas graças a Deus existe o ser humano, não é? Graças a Deus existe o capitalismo, a corrupção, a fome, a desgraça, etc. Eu poderia passar a eternidade falando do Deus do Capitalismo, e há ainda quem não crê Nele. É tão óbvio, veja, ele existe. Se o dinheiro existe, Ele também existe. Afinal, foi esse Deus que decidiu criar o capitalismo, foi esse Deus justo e perfeito (ocasionalmente todo poderoso) que decidiu criar a “humanidade”. Overdose, overdose, OVERDOSE! Overdose depositada na fé, overdose depositada no dinheiro. UM PEDAÇO DE PAPEL! Quem é pra criticar Deus e suas obras perfeitas? Afinal, se as pessoas estão sofrendo, morrendo, estão doentes, estão agraciadas por tudo isso é porque há um motivo em especial. O motivo é simples: falta de papel (dinheiro) que lhes compre a comida. Graças a Deus existe o capitalismo.



Quando a chuva cai...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012


A chuva estava caindo, era um dia normal... Um dia cinza e escuro aparentemente normal para os que olhavam de longe. Ninguém percebia... Não era e nunca foi uma chuva qualquer, até eu demorei pra perceber. Desde que tive a minha consciência de volta, foram longos 10 anos. 10 anos sem saber quem eu era, 10 anos sem consciência. E então percebi aquilo, quase que pela primeira vez eu estava deitado na chuva. E podia ouvir... Quando a chuva batia no chão, era um grito, dava pra ouvir o barulho, era um grito desumano. As gotas das chuvas não eram simples gotas, eram seres humanos. Sempre foram humanos e até nas chuvas que estão por vir, são seres humanos. A cada gota que está caindo da nuvem é um ser humano doente, um ser humano passando fome, um ser humano morrendo... E quando elas batem no chão é o ser humano gritando! Porque é nesse momento que eles podem interferir. Quando chegam a seu detalhe de simplesmente bater no chão, é quando eles podem gritar. Simplesmente gritar... E nunca paramos pra ver, mas nunca ficamos deitados na chuva. Nós, humanos, nunca paramos pra deitar debaixo da chuva... Sabe por quê? Porque não queremos ouvir o sofrimento dos outros. Se as gotas de chuva bater em nosso corpo, nós a ouviremos tão perfeitamente que sugaremos uma parte dela. Uma parte daquele sofrimento se torna nosso sofrimento. Por isso que nós nunca paramos pra ouvir a chuva, nunca paramos pra ser uma parte dela... Em raros momentos isso acontece e quando acontece nós ficamos lá de má vontade.  Quem nunca ficou bravo por ter pegado uma chuva forte? Ou, como eu prefiro dizer, um sofrimento forte. É assim que somos... Somos tão humanos que nem percebemos que estão presos a nós mesmos. O capitalismo que deu esse sofrimento, graças a ele veio às doenças. E então eu pergunto: Se o capitalismo lhe dá liberdade, por que ficamos tão presos ao dinheiro?




Cores por todos os lados, desbotadas para você.


Está tudo tão perfeito... E um dia, talvez, você consiga entender o que eu sinto. Um dia eu fico feliz, mas ao mesmo tempo fico triste, em saber que você está compreendendo como eu sou por dentro... A minha depressão, a minha falta de vontade, tudo o que eu tenho. Talvez você possa ver, em mim, o que eu sou agora. Um louco, um doido, um pirado, que tem a vida em mãos. Que não sabe o que fazer, que vive sem destino, que pretende fazer tudo antes que tudo acabe.  Nada foi tão perfeito! E então você apareceu, simplesmente apareceu. Enquanto eu já não tinha mais aquela esperança, aquela vontade. Enquanto eu já estava à beira da loucura, deixando minha consciência comandar tudo e por fim dar um basta em minha vida. Eu te conheci. Sentado na frente de um computador, caído em lástimas, à procura de alguma coisa que me fizesse feliz. Não encontrei a coisa que eu procurava. As tintas borradas, as manchas marcadas, a destruição e apenas o simples fato de... De querer apagar tudo. Apagar as minhas memórias, me internar em um abismo qualquer, me deixar levar, me sobressaltar sobre todos os ares, fugir do meu universo... Pra onde eu iria? Pra qual mundo eu fugiria? Em qual universo eu me prenderia? Eis meu destino, novamente, tão incerto quanto meus pensamentos, tão verdadeiro quanto as minhas dúvidas.
 E ao invés de simplesmente apagar as cores borradas, as tristezas amargas, eu simplesmente vi a beleza que elas transmitiam... É da natureza das cores, e do ser humano, transmitir beleza quando quer, transmitir crueldade, transmitir amor apenas com um tom. É assim que você impediu uma morte, foi assim que você me deixou. Feliz, apenas por ver as verdadeiras cores borradas, as cores manchadas na tela.






As luzes que nos marcam

sábado, 31 de dezembro de 2011


Às vezes precisamos apenas de um pouco de motivação. Mesmo sem inspiração, mesmo sem alegria e mesmo sem nada para comemorar. Um dia eu tinha lido em algum lugar que não devemos guardar as roupas novas e bonitas para ocasiões especiais, porque todas as ocasiões da nossa vida são especiais. Sim, é verdade.
 Aprendi com o tempo que tudo muda e que nós também estamos dispostos a mudar. Mesmo que tentamos dizer “jamais vou mudar por tal pessoa”, mudaremos. Críticas, opiniões e coisas do tipo constroem o ser humano. Mesmo que você diga a si mesmo e para todas as outras pessoas: “críticas não me abalam”, abalam sim. Não só abalam como te fará ver e pensar nas coisas. Esse não é mais um texto depressivo, sentimentalista ou coisas do tipo. É apenas mais um texto. Sem vontade, sem desejo e sem ânsia. Sem nada, apenas um texto.
  Às vezes as coisas simples tornam-se inacreditáveis e até mesmo incríveis. Não precisamos de dinheiro para construir os verdadeiros sentimentos e nem de coisas caras para que possamos demonstrar os nossos sentimentos. Acho que um simples bilhete grudado na ponta do nariz dizendo “te amo” vale mais que mil casas, ou infinitos carros, ou bilhares de perfumes caros.  É assim que deve ser eu acho. São essas coisas simples que poderia mudar tudo.






Uma mentira e duas verdades.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Às vezes eu só quero esconder tudo, mascarar as coisas, deixar invisíveis. Mas tudo isso tem um fim, tudo isso tem um verdadeiro sentido para as coisas. Aprendi nunca me arrepender das promessas que faço, aprendi a cometer os erros mais bestas e sempre persistir neles. Afinal, é assim que deve ser. Finjo não saber que o tempo passa logo, finjo pra tentar conter essa dor, finjo não notar, mas toda noite eu choro. Ah, que bom seria se o tempo voltasse... Para fazer tudo de novo, sem nenhum arrependimento. Faria tudo novamente, sem corrigir os erros, faria os momentos mais inesquecíveis voltar a ser o que era de verdade, os momentos mais sinceros e mais poderosos que poderia realmente ter. É como se a vida nunca acabasse... Seja como for, gostaria de reviver todos os passos, mas também quero tropeçar nas mesmas pedras do caminho. Pular as coisas chatas e viver diretamente as coisas mais felizes, emocionantes e mais desconhecidas que eu pude viver. Afinal, tudo isso só aconteceu enquanto você esteve ao meu lado. Por favor, deixe-me voltar, eu quero voltar! Entrar na máquina do tempo é só ilusão, eu sei perfeitamente disso. Sempre soube que as ilusões, mesmo que mais loucas, são sempre ilusões. Sempre será assim e nada disso mudaria os fatos. Mas eu quero voltar e reviver o mesmo sonho. Aquele sonho que esclareceu a minha vida e mudou totalmente o que eu teria. E de novo encontrar você...