Está
tudo tão perfeito... E um dia, talvez, você consiga entender o que eu sinto.
Um dia eu fico feliz, mas ao mesmo tempo fico triste, em saber que você está
compreendendo como eu sou por dentro... A minha depressão, a minha falta de
vontade, tudo o que eu tenho. Talvez você possa ver, em mim, o que eu sou
agora. Um louco, um doido, um pirado, que tem a vida em mãos. Que não sabe o
que fazer, que vive sem destino, que pretende fazer tudo antes que tudo
acabe. Nada foi tão perfeito! E então
você apareceu, simplesmente apareceu. Enquanto eu já não tinha mais aquela
esperança, aquela vontade. Enquanto eu já estava à beira da loucura, deixando
minha consciência comandar tudo e por fim dar um basta em minha vida. Eu te
conheci. Sentado na frente de um computador, caído em lástimas, à procura de
alguma coisa que me fizesse feliz. Não encontrei a coisa que eu procurava. As
tintas borradas, as manchas marcadas, a destruição e apenas o simples fato
de... De querer apagar tudo. Apagar as minhas memórias, me internar em um
abismo qualquer, me deixar levar, me sobressaltar sobre todos os ares, fugir do
meu universo... Pra onde eu iria? Pra qual mundo eu fugiria? Em qual universo
eu me prenderia? Eis meu destino, novamente, tão incerto quanto meus
pensamentos, tão verdadeiro quanto as minhas dúvidas.
E ao invés de simplesmente apagar as cores
borradas, as tristezas amargas, eu simplesmente vi a beleza que elas
transmitiam... É da natureza das cores, e do ser humano, transmitir beleza
quando quer, transmitir crueldade, transmitir amor apenas com um tom. É assim
que você impediu uma morte, foi assim que você me deixou. Feliz, apenas por ver
as verdadeiras cores borradas, as cores manchadas na tela.


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