Quando a chuva cai...

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012


A chuva estava caindo, era um dia normal... Um dia cinza e escuro aparentemente normal para os que olhavam de longe. Ninguém percebia... Não era e nunca foi uma chuva qualquer, até eu demorei pra perceber. Desde que tive a minha consciência de volta, foram longos 10 anos. 10 anos sem saber quem eu era, 10 anos sem consciência. E então percebi aquilo, quase que pela primeira vez eu estava deitado na chuva. E podia ouvir... Quando a chuva batia no chão, era um grito, dava pra ouvir o barulho, era um grito desumano. As gotas das chuvas não eram simples gotas, eram seres humanos. Sempre foram humanos e até nas chuvas que estão por vir, são seres humanos. A cada gota que está caindo da nuvem é um ser humano doente, um ser humano passando fome, um ser humano morrendo... E quando elas batem no chão é o ser humano gritando! Porque é nesse momento que eles podem interferir. Quando chegam a seu detalhe de simplesmente bater no chão, é quando eles podem gritar. Simplesmente gritar... E nunca paramos pra ver, mas nunca ficamos deitados na chuva. Nós, humanos, nunca paramos pra deitar debaixo da chuva... Sabe por quê? Porque não queremos ouvir o sofrimento dos outros. Se as gotas de chuva bater em nosso corpo, nós a ouviremos tão perfeitamente que sugaremos uma parte dela. Uma parte daquele sofrimento se torna nosso sofrimento. Por isso que nós nunca paramos pra ouvir a chuva, nunca paramos pra ser uma parte dela... Em raros momentos isso acontece e quando acontece nós ficamos lá de má vontade.  Quem nunca ficou bravo por ter pegado uma chuva forte? Ou, como eu prefiro dizer, um sofrimento forte. É assim que somos... Somos tão humanos que nem percebemos que estão presos a nós mesmos. O capitalismo que deu esse sofrimento, graças a ele veio às doenças. E então eu pergunto: Se o capitalismo lhe dá liberdade, por que ficamos tão presos ao dinheiro?




0 comentários: